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Os Segredos do Orunkó

Salve, salve! Nossa religião é cheia de segredos (ewó) e é neles que nossa fé nos apóia, não estou aqui para revelar segredos de quarto de santo, afinal creio na importância deles, mas para demonstrar a minha opinião sobre um determinado assunto, como disse em outros posts, não sou a verdade absoluta, e o que escrevo é baseado nas minhas experiências e na minha visão sobre o que é escrito. E hoje vou falar sobre o orunkó (nome):
O Orunkó significa em yorubá “nome”, sendo que no Brasil tem o mesmo sentido, porém ele é mais usado para descrever o nome do orixá. Não podemos confundir com a digina, que é usada na nação angola, que seria o novo nome do iniciado, nós que somos de ketu, não temos digina, temos apenas o orunkó do nosso orixá. E esse tem uma enorme importância, tanto que para mim, o Yao só nasce a partir do dia do nome, onde o orixá pronúncia seu segredo em alto e bom som, porém o iniciado deve mantê-lo em sigilo, pois ele diz a essência de seu orixá, e de sua vida.

Já vi duas ou três maneiras de “tirar o orunkó”, e isso vai de axé para axé. O sentido é o mesmo. Nosso orunkó é eternizado em um axé, pois ele é citado em muitas obrigações, e quando temos casa aberta ele se torna ainda mais importante, pois tanto ele quanto o orunkó de nossos antepassados são citados, como uma forma de demonstrar que os atos e ensinamentos que estão sendo passados têm fundamento, tem hierarquia, que não viemos do nada e também tem a função de agradecer aqueles que tanto se dedicaram para que hoje possamos desfrutar dessa religião tão mágica e especial.

Em casa eu digo a tradução do orunkó do Yao, acho importante ele saber o que significa, e assim ele pode entender melhor seu próprio destino. Outra coisa que acontece é os “apelidos” que são usados dentro da casa de santo, por exemplo: Quem é de Ogun, chamamos de Ogunssy, quem é de Oxum, Oxunssy…Essa terminação, ssy, vem de “sì” – que significa “adorar” em yorubá, ou seja, quando chamamos alguém de Oxunssy, na verdade estamos chamando de Adorador de Oxum, iniciado a Oxum, ou seja, é uma forma carinhosa, não confunda com orunkó.

Fonte: Babá Diego de Odé

Egbé

Episódios de aborto e morte prematura de crianças, jovens e adultos podem ser compreendidos como resultantes da ação dos Àbíkú, também chamados Emèré, espíritos pertencentes à Egbé-Àbíkú (Sociedade Abiku). A palavra àbíkú é constituída de a, bí, (ó) ku, que ignifica tanto nascido para morrer quanto o parimos e ele morreu: designa crianças e jovens que morrem antes de atingir a idade adulta e adultos que morrem antes dos pais. Assim, há duas qualidades de abiku: os àbíkú-omódé, que morrem ainda crianças, e os àbíkú-àgbà, que morrem jovens ou adultos. Tais indivíduos estabelecem com a Sociedade Abiku o ójó orí, pacto de retornarem ao orun ao ser atingida determinada idade. Quando uma mulher sofre sucessivas perdas de filhos recém-nascidos, ainda pequenos, jovens ou mesmo adultos, considera-se que esteja sob a ação de um abiku, espírito que nasce múltiplas vezes através de um mesmo corpo feminino por determinação do destino dessa mulher, por obra de magia ou por circunstâncias de acaso, como a aquisição inadvertida de um abiku por uma grávida que não tenha tomado os devidos cuidados contra isso. Quando uma mulher perde filhos assim, suspeita-se que se trate da ação de àbíkú-omodé; e os episódios de perda de filhos serão interrompidos somente se tomadas as necessárias providências para romper o vínculo desses seres espirituais com a comunidade à qual pertencem no orun. Quanto aos àbíkú-àgbà, o pacto por eles estabelecido com a sociedade determina que o retorno ao orun ocorra em algum momento muito significativo e importante da vida, que pode ser crítico ou de sucesso, como em uma data próxima à formatura, ao casamento, ao nascimento de um filho desejado ou a uma conquista social notável.

Egbé Aráagbó é a comunidade espiritual à qual pertencem os abikus: é constituída pela Egbé Aiyé (Sociedade de amigos do mundo visível, Amigos do mundo visível) e pela Egbé Òrun (Sociedade de amigos do mundo invisível ou Amigos Espirituais) Estando esses dois mundos entrelaçados e intimamente relacionados um ao outro, ambos exercem mútua influência entre si: pode-se presumir que, para que uma pessoa possa viver feliz no aiye, é preciso que esteja em harmonia com seus amigos espirituais no orun.

TRADIÇÃO AFRICANA:
O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE SER ÀBÍKÚ

Àbíkú - a palavra já diz tudo: A= Nós; Bi= Nascer; Ku= Morrer [Nós nascemos para morrer]
No Orun, um mundo paralelo que nos rodeia, onde vivem Deuses e Antepassados, palavra facilmente traduzível por Céu, mora um grupo de crianças chamado Egbe Orun Abiku: as crianças que nascem para morrer em curto espaço de tempo, gerando grande sofrimento para as suas famílias. As meninas são chefiadas por Oloiko [chefe de grupo] e os meninos, por Ìyájanjasa [a mãe que bate e corre].
A permanência dos Abiku ou Emere é condicionada a um pacto que fazem na vinda do Orun para o Aiye [a Terra] com Onibode Orun, o porteiro do Céu. Este pacto é cumprido rigorosamente pelos Abiku, e uma criança cujo o acordo for não nascer, realmente não nascerá; outra que combine voltar quando romper seu primeiro dente, terá morte súbita, por acidente ou por doença, horas ou dias após o aparecimento deste dente.
Quando uma criança Abiku nasce, seu par, aquele seu companheiro mais chegado no Orun, começará a interferir em sua vida, atormentando-a, aparecendo-lhe em sonhos, a fim de que não se esqueça de seus amigos do Orun e rapidamente volte para eles, assim que houver cumprido o seu pacto. Várias histórias de Abiku nos são relatadas nos Itan Ifá, pelos odú Odi, Obara, Ejiogbe, Irete-Irosun, Otura-Rete, Iwori-Wosa entre outros (Tradição oral).
IWORI-WOSA
O dia que uma criança dá o aviso que vai se suicidar
Não se pode permitir que sua intenção se concretize
Ifá foi consultado para Matanmi (não me engane)
Que estava vindo do Céu para a Terra
Ele foi avisado que deveria fazer sacrifício
O que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Morte?
Carneiro
O que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Doença?
Carneiro
EJIOGBE
O olho da agulha não goteja pus
No banheiro não se põe uma canoa a navegar
Ifá foi consultado para Òrúnmìlà
Quando ele fazia um pacto com Emere (Àbíkú)
Um pacto fora feito com Emere (Àbíkú)
Ele não iria morrer logo na flor da idade
O caso do Emere (Àbíkú) agora fica seguro com Ifá

A primeira vez que os Àbíkú vieram para a Terra foi em Awaiye, rei de Awaiye, num grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye, rei de Awaiye e chefe deles no Òrun. Na vinda para a Terra, todos pararam no portal do Céu e vários pactos foram feitos. Eles voltariam ao Òrun quando:
- Vissem pela primeira vez o rosto de sua mãe;
- Casassem;
- Completassem 7 dias de vida;
- Tivessem novo irmão;
- Construíssem uma casa;
- Começassem a andar.

E nenhum queria aceitar o amor de seus pais, e os presentes e mimos seriam insuficientes para retê-los na Terra, e talvez alguns absolutamente não nascessem.
Esta primeira leva de crianças Àbíkú combinaram entre si também roupas, rituais, chapéus e turbantes, tingidos de òsun que teriam valor simbólico de 1.400 búzios e que, se seus pais adivinhassem estas roupas e dessem-nas como oferendas, poderiam segurá-las na Terra.
As roupas seriam colocadas penduradas nas árvores do Bosque Sagrado dos Àbíkú, em Awaiye, e seus pais fariam anualmente uma festa, com tambores e cantigas, para alegrar os Àbíkú, que seriam untados com òsun, e não voltariam mais ao Òrun, rompendo assim o pacto feito, e seu vínculo com o Egbe Òrun Àbíkú.
Outras histórias são contadas por Òrúnmìlà sobre crianças que, depois de várias idas e vindas entre o Céu e a Terra, puderam ser conservadas vivas, devido a seus pais terem consultado Ifá e feito os Ebós determinados por Òrúnmìlà, trocando ou acrescentando um nome que os desanimasse de morrer novamente, usando folhas sagradas em fricções nos seus corpinhos, para afastar os outros companheiros Àbíkú, colocando em seus tornozelos Sawooro , fazendo em seus corpos pequenas incisões, e através delas inserindo pó preto e mágico de uma mistura de folhas, e com este mesmo pó enchendo um amuleto de couro em forma de pequeno saco, chamado Óndè que seria preso à cintura da criança.
Alguns Àbíkú também deveriam colocar em seus tornozelos pesadas argolas e correntes que não os deixariam fugir para o Òrun. As oferendas eram feitas como recomendavam os Itan Ifá - troncos de bananeira, cabras, galos, pombos, roupas e chapéus tingidos com òsun, alimentos, guizos, búzios, doces, bebidas, a serem entregues no Bosque Sagrado, ou enterrados à margem de um rio, ou soltas nas águas.
Estes Ebós possibilitariam aos pais reter seus filhos na Terra, e eles não morreriam mais.
Porém, se apesar das oferendas, os chefes das Comunidades Àbíkú, Oloiko e Iyajanjasa insistissem em vir à Terra em busca de suas crianças, e conseguissem levá-las de volta ao Òrun, os pais deveriam marcar seus corpos com cortes, ou mesmo mutilá-los ou queimá-los, para que seus pares no Òrun não os reconhecessem ou aceitassem de volta. Também pelas marcas seriam reconhecidas quando voltassem à Terra e não quereriam mais nascer.
Nas terras de ancestralidade Yorùbá, uma mãe que perde vários filhos antes ou depois do nascimento, por morte brusca, súbita ou inexplicável, procura um Bàbáláwo e descobre estar dando à luz a uma criança Àbíkú, que pode nascer e morrer inúmeras vezes impedindo-a também de ter filhos normais.
O Bàbáláwo indica a necessidade de Ebó, o uso de folhas, procedimentos estes usados para afastar o Àbíkú, se os filhos da mulher estiverem mortos, e para que ela possa gerar crianças perfeitas. Ou para reter a criança na Terra e romper seu vínculo com o Òrun, mantendo-a viva.
Até que a criança complete nove anos, sempre próximo à data do seu aniversário, determinadas oferendas serão feitas e depois repetidas até o Àbíkú completar dezenove anos.
A criança deverá usar roupas especiais, com enfeites e cores específicas, seu nome deve ser mudado ou a ele acrescentado outro, que desestimule sua volta ao Òrun.
Guizos em quantidade devem ser presos a seus brinquedos, roupas, tornozelos, pulso, pois o som dos guizos faz bem ao Àbíkú e afasta os amigos do Céu.
A fava Éerù, no Brasil chamada Bejerekun, deve ser usada em banhos e chás, pacificando a criança, Efun também pode ser utilizado para acalmá-la.
As folhas são usadas em fricções ou banhos, e com elas é feita a mistura mágica com a qual se protege a criança e se prepara o amuleto, que o Àbíkú carregará por toda a sua vida.
O corpo da mãe também deve ser defendido e esfregado com folhas, para que ela não atraia uma nova criança Àbíkú.
Se a mãe tiver também problemas com Egbe, chamada Eleeriko, uma deusa considerada o feminino de Egungun, que atormenta as crianças, marcando-lhes o corpo durante a noite, ela será avisada de que deve zelar por Egbe, entregando-lhe cabaças com oferendas no rio, e louvando-a a cada quinto dia. Também um altar com símbolos religiosos poderá ser instalado na casa, e anualmente serão feitas festas com sacrifícios de animais, tambores e dança.
Nem toda criança Àbíkú é atormentada por Egbe que também pode dar filhos às mães que a louvam.
Há alguns Orìkí de Egbe que demonstram bem esta ligação. Este que damos a seguir é de Ibadan, e é uma súplica para que Egbe envie crianças sadias que não sejam Àbíkú ou Emere.

Mãe, proteja-me, eu irei ao rio
Não permita Emere seguir-me em casa
Mãe proteja-me, eu irei ao rio
Não permita que uma criança amaldiçoada siga-me em casa
Mãe proteja-me, eu irei ao rio

Não permita que uma criança estúpida siga-me em casa
Olugbon morrei e deixou filhos atrás dele
Arega morreu e deixou filhos atrás dele
Olukoyi morreu e deixou filhos atrás dele
Eu não poderei morrer sem deixar filhos atrás de mim
Eu não poderei morrer de mãos vazias, sem descendentes [1].

No Brasil, porém, o termo Àbíkú, dito “Abikum” tem significado totalmente diverso. A mãe que entra grávida para o processo de iniciação, dá a luz à uma criança que já nasce “feita pronta”, sem necessidade da tonsura ritual. Quando esta criança completa sete anos, sacrifícios são feitos para seu Òrìsà, sua cabeça é recoberta por uma cabaça antes que o sangue seja derramado, pois sobre a cabeça de uma criança “Abikum” o sangue não deve correr.
Esta criança nunca estará sujeita a um transe de possessão por um Òrìsà, a ela estarão vetadas a maioria dos cargos dentro da hierarquia sacerdotal brasileira. Ao mesmo tempo, ela já nasce com um posto honorífico, o de “feita sem ter sido raspada”, e é tido com certo que nenhum mal físico ou espiritual poderá atingi-la.
Dizem também alguns sacerdotes que as crianças que nascem em datas determinadas são “Abikum”. E, sendo assim, pais e mães ambiciosos, programam seus filhos para que nasçam nestes dias, e até mesmo operações cesarianas são realizadas, para adequar a chegada ao mundo das crianças às datas de nascimento apropriadas para “Abikum”.
O modo de encarar a pessoa “Abikum” muda de casa para casa, podendo ser acrescentados ou eliminados detalhes dessa explanação.
Os pais e mães de Òrìsà brasileiros deveriam reavaliar seu conceito sobre crianças Àbíkú, uma vez que estes nascimentos ocorrem não só na terra Yorùbá, elas nascem em todo o mundo e no Brasil também. É imperioso também que se instruam sobre todo o ritual sacro a ser realizado dentro da problemática Àbíkú.
Vários povos ao redor do Golfo de Guinéa tem a mesma crença nos Àbíkú, embora dêem à eles nomes diferentes. Os Nupe chamam-nos de Kuchi ou Gaya-Kpeama. Entre os Ibo, são chamados Ogbanje ou Eze-Nwanyi ou Agwu ou ainda Iyi-Uwa Ogbanje. Já os Haussa chamam-nos Danwabi ou kyauta. Os Akan denominam a mãe de um Àbíkú Awomawu e entre os Fanti são conhecidos por Kossamah.
Famílias que já perderam um ou mais filhos, tendem a buscar na religião um consolo e uma explicação para estas mortes, e é dever da Tradição de Òrìsà e do Candomblé Ketu, estar apta para oferecer, além de um amparo religioso que diminua o sofrimento dos pais, uma solução para que tal tragédia não mais ocorra.
Temos muita pouca literatura em português sobre o assunto, talvez apenas a tradução de um excelente artigo de Pierre Verger, publicado em 1983 na Revistas Afro-Asia no 14, com uma explanação ampla sobre Itan Ifá, Oruko Àbíkú, folhas e Ofo do qual farei citações literais mais adiante.
Outros autores africanos, franceses e ingleses falam sobre o assunto, em considerações superficiais ou profundas, mas suas publicações não estão disponíveis para a quase totalidade do sacerdócio brasileiro.
O fato de não possuirmos no Brasil local determinado, como a Floresta Àbíkú de Awaiye, não nos impede de sacralizar parte de um bosque para receber as oferendas das famílias das crianças Àbíkú.
Tomando por base as recomendações do Itan Ifá, um Ebó poderá ser montado com um pedaço de tronco de bananeira, roupas e gorros tingidos de òsun e bordados de guizos e búzios, pratos com comidas [Iyan; Akara; Ekuru; Eko; Doces; Canjica; Frutas; Mel; Guizos; Bebidas; Animais; Cabra; Pombo; Galo; Folhas].
As roupas serão colocadas nos galhos das árvores, as comidas e oferendas ao redor no chão, ou monta-se um carrego como para a morte, embrulhado em pano branco, que será enterrado ou solto nas águas de um rio.
Não é necessário o uso de palavras, pois só o fato dos pais saberem qual o significado da oferenda secreta é suficiente para dar força mágica ao Ebó.
Nada porém dever ser feito sem confirmação e autorização de Òrúnmìlà, pois só a ele cabe nos orientar em nossas dificuldades e dúvidas.
As folhas são colhidas como oferenda e utilizadas para fazer fricções no corpo, ou na feitura de pós mágicos que serão esfregados nas incisões no corpo e rosto dos Àbíkú, e na confecção de amuletos (Onde) ou para banhos rituais,
Cada folha tem sua frase mágica, chamada Ofo, que aumenta seu poder de atuação no Ebo.
Cito aqui textualmente os Ofo escritos por Pierre Verger:

 Ewé Abirikolo, insinu Òrun e
§ pehinda.
(Folhas de Abirikolo, coveiro do Céu, voltai)
 Ewé§ Agidimagbayin, Olorum maa ti kun, a a ku mo
(Folha de Agidimagbayin, Olorun fecha a porta do Céu para que não morramos mais)
 Ewé Idi l’ori ki ona Òrun§ temi odi
(Folha de Idi, dizei que o caminho do Céu está fechado para mim)
 Ewé Ija Agbonrin§
(Não ande pelo longo caminho que conduz ao Céu)
 Ewé Lara Pupa ni osun a won Àbíkú§
(A Folha de Lara Vermelha é o cânhamo dos Àbíkú)
 Olubotuje ma je ki mi bi Àbíkú omo§
(Olubotuje não me deixe parir filhos Àbíkú)
 Opa Emere ki pe ti fi ku, yio maa eu ni, nwon ni,§ nwon ba ri Opa Emere
(Vara de Emere não os deixe morrer, isto lhes agrada, ver a Vara de Emere) [2].

As crianças Àbíkú devem, no sétimo dia a partir do nascimento, se forem meninas, ou no nono dia, se forem meninos (se for o caso de gêmeos, o dia certo é o oitavo) passar pelo ritual de Ikomojade, quando recebem um nome específico que desestimule sua volta ao Òrun. Nesta cerimônia são usados: água, dendê, sal, mel, obì, peixe, gin, ataare.

NOMES ÀBÍKÚ
 OMOLABAKE - Esta é uma criança que eu mimarei.§
 Kujore - Deus§ poupou este aqui.
 Siwoku - Pare de morrer. Tire as mãos da morte.§
§ Kalejaye - Sente-se e goze a vida.
 Omotunde - A criança voltou.§
 Maku -§ Não morra.
 Kikelomo - Crianças são feitas para serem mimadas.§
 Moloko -§ Não tem mais enxada para enterrar.
 Ayedun - A vida é doce.§

Os nomes Àbíkú negam a morte e contam a doçura e a alegria da vida. Contam também como a Terra é bela e boa para se viver. Deve-se sempre chamar a criança por este nome, que pode ser incorporado oficialmente ou não aos seus outros nomes e sobrenomes. Isto também ajuda no rompimento do vínculo com o Egbe Òrun Àbíkú.
Como a descoberta do pacto é algo difícil, sempre próximo ao dia do aniversário da criança, até que esta complete 19 anos ou pelo prazo que o Ifá determinar, devem ser feitas oferendas nos locais sacralizados, acompanhadas ou não de Ebo a Egbe Eleriko.
Para Òrìsà Egbe se colocam, em uma grande cabaça, os seguintes elementos: Ovos; Akasa; Iyan; Akara; Eba; cana-de-açúcar; Obi; Éerù, Ekodide; Bananas; Àádun; Doces - em um número de 1 ou 6. Esta cabaça é fechada, colocada em um saco e solta num rio, com acompanhamento de rezas e cantigas,

REZA (DE IBADAN)

Egbe. a afável mãe, aquela que é apoio suficiente para aqueles que a cultuam.
Aquela que veste veludo, a elegante que come Cana-de-açúcar na estrada de Oyo.
Aquela que gasta muito dinheiro em óleo de palma.
Aquela que está sempre fresca e tem fartura de óleo com o qual ela realiza maravilhas.
Aquela que tem dinheiro para o luxo, a linda.
Aquela que sucumbe à seu marido como à uma pesada clave de ferro.
Aquela que tem dinheiro para comprar quando as coisas estão caras [3].

CANTIGA [DE LALUPON]

Por favor, use um Oja.
O Oja é usado para atar as crianças em nossas costas.
Eu posso cultuá-la todo o quinto dia.
A Mãe Egbe que mora entre as plantas.
Dê-me meus próprios filhos.
Eu posso cultuá-la a cada cinco dias [3]
Os Àbíkú não são como querem certos autores ou sacerdotes, seres maléficos, que tem por “missão” causar sofrimento às suas mães.
Eles carregam consigo, por causa de seu constante morrer/renascer, o peso de Iku, a morte, e são seres divididos entre a vontade de ficar na Terra com suas famílias e o desejo e a obrigação de retornar ao Egbe Òrun.
O Bàbálòrìsà ou Ìyálòrìsà, tenho verificado que uma criança é Àbíkú, deve estar preparado para contornar a natural reação dos familiares, de medo, susto, repulsa e mesmo horror, porque a primeira impressão de pais não habituados ao assunto, é crer que o sacerdote coloca seu filho em uma classificação espiritual de maldade e perversão. Também o risco iminente de uma morte súbita apavora a família que tende a reagir com agressividade ou incredulidade, e quer garantias infalíveis e imediatas que isso não é verdade, por quaisquer meios.
Portanto, é necessário que se explique aos pais o problema, e que se dê ao mesmo tempo soluções adequadas, que se cite casos e exemplos, naturalmente sem falar em nomes ou detalhes desnecessários, a fim de que os familiares concordem em ser totalmente esclarecidos e orientados para uma solução definitiva. Explicar também que oferendas “podem” reter o Àbíkú na Terra, se feitas corretamente, mas antes que tenha sido o pacto identificado e rompido, a oração e a crença profunda nos Òrìsà é de grande valia.
Mães que já tenham perdido filhos Àbíkú devem ser avisadas da necessidade de oferendas para que o Àbíkú não volte a nascer de seus corpos e elas possam dar à luz crianças normais.
Por vezes o nascer e morrer inúmeras vezes de uma criança pode abalar física e psiquicamente a Mãe e recursos médicos e terapêuticos “nunca” devem ser abandonados.
Pelo contrário, sua utilização deve ser incentivada, em combinação com o tratamento espiritual.
Os pais não devem considerar isso com “castigo”, “karma”, “feitiço” ou outras explicações engendradas pela falta de conhecimento. 
Para isso o sacerdote deverá esclarecê-los e pacificá-los com a solidez e peso de seus argumentos.
Assim, no Brasil, como nos países Yorùbá, a problemática Àbíkú será contornada e menos pais serão vítimas de sofrimento causado pela morte de seus filhos.

*Ìyá Sandra Medeiros Epega

ESTE TRABALHO PODE SER COPIADO, DIVULGADO, REPRODUZIDO, DESDE QUE NA ÍNTEGRA, E QUE SEJAM MANTIDAS SUAS CARACTERÍSTICAS RELIGIOSAS E DIVULGADA A FONTE.

BIBLIOGRAFIA
[1] - Yorùbá religion & medicine in Ibadan, 1980, George E. Simpson, Ibadan University Press.
[2] - Afro-Asia NO. 14, 1983, A Sociedade Egbé orun dos Àbíkú, as crianças nascem para morrer várias vezes, Pierre Verger, pg. 138 a 160.
[3] - Yorùbá religion & medicine in Ibadan, 1980, George E. Simpson, Ibadan University Press.
[4] - Yorùbá religion & medicine in Ibadan, 1980, George E. Simpson, Ibadan University Press.
As outras informações foram obtidas através da tradição oral, com os anciãos da família Epega, em Ode Remo e Lagos.

GLOSSÁRIO

Àbíkú - nós nascemos para morrer, classificação espiritual em terra yorùbá.
Ìyá - Mãe.
Orún - mundo paralelo onde moram Ancestrais e Òrìsà, terceira dimensão que nos rodeia, mundo espiritual.
Egbé - grupo, comunidade.
Emere - o mesmo que ábiku.
Itan Ifá - versos do Oráculo sagrado, sabedoria ancestral.
Odú - resposta do Ifá, traduzido por - você se manifesta .
Ifá - nome do Oráculo sagrado yorùbá. Por vezes Òrúnmìlà também é chamado assim.
Osun - substancia vegetal vermelha, usada em rituais.
Òrúnmìlà - Òrìsà que responde no Oráculo Ifa, testemunha do destino do homem.
Ebó - oferenda, presente, sacrifício.
Sawooro - pequenos guizos ou sinos de metal.
Óndè - pequeno saco de couro que contém elementos mágicos, amuleto.
Yorùbá - língua falada em parte da Nigéria, povo que habita o Golfo de Guinéa, etnia africana.
Bàbáláwo - Pai do segredo, Sacerdote do Òrìsà Òrúnmìlà.
Èérù - fava africana.
Efun - substancia vegetal branca, usada em rituais.
Egbé - Òrìsà feminino, que é dona do ouro e da riqueza, também dá filhos às mulheres.
Egungun - Ancestral.
Orìkí - frase ou verso de louvor.
Ibadan - cidade da Nigéria.
Nupe - etnia africana.
Ibo - etnia africana.
Haussa - etnia africana.
Akan - etnia africana.
Fanti - etnia africana.
Ofo - palavra ou frase mágica.
Iyan - Massa de cará cozido e pilado.
Akara - bolo de feijão fradinho, conhecido no Brasil como acarajé.
Ekuru - bolo de feijão fradinho, enrolado em folha de bananeira e cozido no vapor.
Eko - Bolo de milho branco, akasa.
Obi - Cola Acuminata, fruto africano, utilizado em rituais, presente no quotidiano dos yorùbá.
Ekodide - pena do pássaro Odide, utilizado em rituais.
Àádun - Bolo de milho amarelo.
Oja - pano que as mães usam para amarrar os filhos nas costas.
Bàbálòrìsà - Pai que têm os Òrìsà, Sacerdote.

Ìyálòrìsà - Mãe que têm os Òrìsà, Sacerdotisa.

A solução básica do problema de quem é abiku implica em libertá-lo da sociedade à qual pertence. De fato, implica em tornar cada abiku indesejável ao seu grupo de pertença original no mundo espiritual, de modo que não queiram mais conservá-lo naquela sociedade. Sendo os abikus poderosos, é preciso muito conhecimento por parte dos sacerdotes que se propõem a lidar com eles. Alguns recursos para evitar a morte de um filho abiku e para retirar seu espírito da sociedade à qual pertence podem ser utilizados. Através de rituais é estabelecido um jogo de forças entre Egbé Aragbô e Egbé Abiku: forças de retenção do ser no aiye e forças de resgate deste mesmo ser no orun. Cultos e oferendas são realizados tanto para uns quanto para outros: para esta desistir de retomar seus membros e para aquela protegê-los de serem reconduzidos à companhia de seus pares no orun. Egbé Aragbô atua com Exu pela necessidade de manter o equilíbrio entre o aiye e o orun; age com o auxilio também de Oxum, pela influência dela sobre a fertilidade.

Egbé significa Sociedade: designa a Sociedade dos Espíritos Amigos e se refere, simultaneamente, a um orixá e a uma irmandade ou corporação de seres espirituais: trata-se de Èré igbó ou Aráagbó, que significa Habitante da floresta ou Habitante do além. Este orixá protege contra a morte prematura, acalma o sofrimento material e espiritual e orienta o ori do abiku e de seus devotos a seguir o caminho certo. Atrai progresso econômico e desenvolvimento espiritual, harmonizando esses dois aspectos da existência. Proporciona também os sentimentos de paz, tranquilidade, serenidade e confiança, trazendo a fertilidade em todos os aspectos da vida. Atrai condições para conquistas, domina recursos para promover cura e bem-estar, interfere no destino humano e remove obstáculos da vida: transforma lágrimas em sorrisos. Egbé Aráagbó é venerado para que se possa receber sua proteção contra seres visíveis e invisíveis. As pessoas costumam referir-se a ele dizendo Egbé mi, minha Sociedade, meus Companheiros. Há uma relação importante entre Ibeji e Egbé, pois Ibeji liga-se à natureza, de modo geral, e à floresta, morada de Egbé, de modo particular. Para cultuar um é preciso cultuar o outro.

Os Interditos na Religião dos Òrìsàs - Ewó


Ewó – Os Interditos na Religião dos Òrìsàs – Escute as Recomendações do seu Sacerdote!


“Minha Ìyálòrìsà me disse que eu não podia comer Cajá, eu comi e não me fez mal algum, esse negócio de Ewó é conversa fiada”!
Talvez pela falta de informação ou conhecimento acerca da cultura dos Òrìsàs, muitas pessoas pensam dessa forma, ou seja, se comeu e não sentiu nada, não tem problema nenhum, pois não é… Ewó, será que é isso mesmo?
Antes de tudo é preciso entender o que são os Ewó. Na religião dos Òrìsàs, acreditamos que ao longo da vida, todos os seres e Divindades passaram por momentos de alegria, felicidades, dificuldades, decepções, etc. Nessa ótica, aquilo que motivou ou desencadeou, por exemplo, um processo de decepção, tornou-se um interdito para aquele ser/Divindade.
Há alguns meses, publicamos a razão de Ògún usar màrìwò. À época, esclarecemos que quando ele entrou mata adentro, envergonhado por ter matado o cachorro guardião do mercado da riqueza, suas roupas foram completamente rasgadas pela ação de uma determinada planta espinhosa, fazendo com que ele, envergonhado por estar nu, se vestisse completamente com màrìwò (Ogun Kolaso, Mariwo Aso Ogun-o Mariwo). A partir desse dia, o màrìwò tornou-se sagrado para Ògún, no entanto, a planta que rasgou suas roupas, passou a ser o seu Ewó. Caso um filho de Ògún venha a usar essa planta (por exemplo, um banho), provavelmente naquele momento ele não sentirá nada, mas ele despertará em Ògún, a lembrança daquele momento de vergonha, o que lhe pode ser prejudicial futuramente.

Esse é somente um exemplo, para ilustrar, mas existem centenas de histórias que justificam todos os Ewós do Candomblé. Talvez a mais conhecida, seja a de Òsàlá, que deixou de criar o mundo, pois bebeu o Emú (vinho de palma), tornando essa bebida um terrível Ewó desse grande Òrìsà. Há, também, a história que justifica o Ewó do mesmo Òsàlá com o Epó Pupá, quando Èsù de forma maliciosa sujou sua impecável roupa branca com o dendê (Epo Made So Alá).
Interessante observar que, muito embora o Epó Pupá e o Emú sejam Ewó de Òsàlá, ambos são apreciados por Ògún, o que nos mostra que, nem sempre o interdito para uma pessoa, será para outra. Muito embora, existam casos em que o Ewó é comum para todas as pessoas do Candomblé, como o caso da “Aranhola”, conforme já mencionado em postagens antecedentes.
Muitas pessoas comentam sobre os interditos alimentares, no entanto, existem muitas proibições que variam desde não poder usar roupas remendadas até não poder tomar banho de uma determinada folha ou conjunto de folhas. Esses Ewós são determinados em razão do Òrìsà da pessoa, bem como, o seu destino (Odù), identificado por meio de consulta ao oráculo.
Conforme início do texto, muitas pessoas acreditam que “se comeu e não sentiu nada, não é Ewó”. Mas, em verdade, as proibições não estão somente relacionadas a uma indisposição alimentar. A quebra do Ewó, invariavelmente implicará em prejuízos futuros, como uma possível cólera do Deus, em razão do não cumprimento do interdito.


Quando um Sacerdote diz ao filho: “Meu filho, não coma abóbora”. Ele não está querendo lhe privar de algo que até você ser iniciado sempre lhe fez bem. Ele somente está lhe dando informações preciosas que contribuirá no futuro, para a sua edificação espiritual. O mesmo ocorre quando a Ìyálòrìsà diz: “meu filho, não coma Cajá e não use roupa vermelha”. Ela não quer lhe privar de um refresco saboroso ou da cor da moda. Ela somente quer o seu bem!

Quem é este Orí ?

Uma das mais importantes divindades na compreensão das crenças yorubás é ori. ori é o guia de cada um e de todos para o sucesso neste mundo e também no outro (céu-orun). ori é o orixá supremo que somente se abaixa para olodumare(olorún).

muitas pessoas, neste país,envolvidas nesta religião, não têm conhecimento de ori, e uma pessoa sem cabeça é uma pessoa sem direção.
devemos notar que a cabeça é em geral a primeira a entrar neste mundo, e é o recipiente ou residência de todas as escolhas (opções).
Mas quem é este ori?
ori-isesé (cabeça - o designante), também ori-ooro (cabeça ao amanhecer) ori akoko (a primeira cabeça) ou simplesmente ori (cabeça),é este o primeiro e mais importante orixá no orun. e por causa de seu lugar primordial, ori-isheshé tem jurisdição sobre orí-inú, que é a cabeça pessoal ou divindade possuída por cada e todas as pessoas e orixás, porque também os orixás têm seu ori individual, ou ori inú.
o poder e autoridade que ori possui vem da crença que ori-isheshé é o criador de todas as divindades, e sob as ordens de ori eles foram mandados as várias localidades aonde se tornaram respeitados.
na crença yorubá, ori é a residência de cada escolha de realização na forma em que lutam para alcançar seu destino. algumas vezes é chamada de orí-inú ou cabeça interna ou destino. há também um ori ode ou cabeça física, aonde ori inú reside. o contraponto de orí-inú no orún seria ori isheshé.
devido as circunstancias de sua criação, todos os orixás tem de prestar homenagem a ori. todas as cabeças feitas no culto ou devoto têm de tocar a terra com a testa como um ato de respeito ao primeiro ori. no nascimento (parto), a cabeça física ou ori ode vem primeiro, enquanto o resto do corpo a segue,o que aumenta mais sua relação com ori-inu,que também é o primeiro a ser criado e o único determinante do destino do homem na terra. devido a isto, a cabeça física é tratada com muito respeito e propiciada como ori-inú, seu contraponto espiritual, resultando na primeira servir comumente como meio de comunicação com a outra.
o ori de uma pessoa é tão importante que deve ser propiciado frequentemente e sua ajuda é necessária antes de iniciar qualquer ato e isto é feito através do eborí (bori).
ofun-rete
wereweri no céu…
owewé, aquele que limpa a pobreza com perfeição. foi visto no jogo para somente um ori e também para quatrocentos e uma divindades celestiais quem iria a olorún o criador-chefe para tentar abrir o obi do axé. ogbon, sabedoria, os dirigiu para fazerem o sacrifício… quatrocentos e uma divindades desobedeceram a sua ordem. somente ori obedeceu, e seu sacrifício foi aceito. qual era a ordem dada por ogbon? eles tinham de acordar ao amanhecer e louvar o supremo criador.
todos os orixás perderam a hora. somente ori acordou, e se atirou ao chão em homenagem a olorún. depois disto todos os orixás foram a deus, o criador-chefe, e pediram a ogbon para apresentar o obi de autoridade. todos tentaram, mas não conseguiram abri-lo. somente ori conseguiu porque tinha feito o sacrifício (ebó), e dividindo o obi, ele obteve as respostas (jogou, adivinhou).
a resposta foi favorável e uma alta louvação ocorreu. houve grande excitação e júbilo nos céus. o lugar mais alto e central, apere, daí passou a por direito pertencer a ori. quando ori se sentou, os outros orixás,cheios de inveja, conspiraram para destroná-lo.
orishanlá foi o primeiro a desafiar sua autoridade.ori o pôs no chão e em ajalamo aonde os destinos são moldados.emajalamo orishanlá se tornou o especialista escultor dos destinos.
ori criou ifá, e ifá se tornou um especialista em ikin. ori criou amakisi no leste, aonde a luz matinal surge na terra. ori conquistou todos os orixás e os criou aonde eles são hoje reverenciados.
ao acordar, eu homenageio olorún. deixe todas as coisas boas virem a mim. meu ori me deu vida. de-me o poder de ultrapassar a mortalidade e eu não morrerei. deixe todas as coisas boas pertencerem a mim, como a luz pertence a amakisi.
ori é importante porque é o que escolhemos no orun para nos acompanhar neste mundo para atingirmos nosso destino. ori é o que nos dá a oportunidade de fazer escolhas. mesmo antes do orixá, há o ori que nos direciona e nada pode se manifestar se não fizermos uma escolha. ë ori que nos leva de volta ao orixá. se olharmos o termo ori (sa) é a coroação da cabeça que a isto se refere. é a coroação do ori das divindades que os tornam orisa.
todos eles escolhem seu destino. e esta escolha é seu ori. não há nada que possa acontecer sem fazermos uma escolha ou saudarmos ori. por isto é que ori vem primeiro, porque nos leva a olodumare (olorún). ori é a “ligação direta” com olodumare. ligação com a força chamada eleda, energia incondicional, o pensamento de olorún que todos temos dentro de nós. é por isto que é dito quando saudamos nossas cabeças que estamos saudando eledá, porque isto é feito através de nosso ori.
iwa léwa
agora a importância de ori vem de iwa (léwa) que significa “caráter é beleza”. é através destas escolhas que fazemos que somos capazes de ser vistos como algo belo, e estas escolhas são acompanhadas do destino. é através destas escolhas que nosso caráter é moldado. é interessante que iwa-caráter e iwa-destino são basicamente a mesma palavra.
nós não conseguiremos alcançar nosso destino a não ser que desenvolvamos bom caráter.
e se durante a nossa vida no mercado do mundo nós desenvolvermos um bom caráter moral, nós conseguiremos a coroa do orixá.
há uma outra entidade que existe com ori. quando ori anda conosco pelo mundo, há enikeji, nosso gêmeo espiritual, que se mantém em espírito para nos lembrar do nosso destino escolhido em ile orun. quando formos para casa, pois o mundo é o mercado, orun é nossa casa, haverá uma reconexão com enikeji para ver se alcançamos nosso destino. todos os ori vem de eledá, olorún. tudo vem daquele que dá vida – olorún - e se manifesta como vida - olodumare.
cada pessoa, pedra, árvore, punhado de terra é composto de odu e tem um espírito de eledá em si, ori ou oro, o que habita dentro. tudo vem da mesma fonte, não diferentes, eu posso voltar como um pássaro, mas ainda com ori, o que me dá a escolha necessária de alcançar meu destino escolhido. mas ainda assim ori vem de eledá. o corpo do pássaro é somente a residência do espírito do pássaro, e o espírito vem de olodumare.
igbá iwa, que é nosso corpo que contem o nosso caráter, é somente a residência do espírito, independente de sua forma física. nós temos a tendência de nos separarmos deste espírito, e é o que nos impede de alcançarmos iwa pele.
kotopo-kelebe era o apelido de ori antes dele se tornar a cabeça de todos os orixás. especificamente, o apere de ori indica sua vitória sobre as outras divindades, e a ascensão de ori ao alto da ponta do cone da existência, isto é a razão de existir. para saber como ori lidou com todas as ameaças de oposição de seus rivais e ditou seus destinos, é pertinente para mostrar o duplo sentido mostrado no verbo “da” (vencer ou conquistar ou criar) usado no odu em ori. nós temos a noção de que em para ser ou criar algo, temos de sobrepor alguma oposição ou vencer alguém. sem luta, não há sucesso na vida.
o mais alto lugar,a posição de autoridade chamada apere se tornou o trono de ori. ori foi mais adiante para provar sua superioridade sobre orisanlá dando a ele um lugar permanente chamado oke-alamoleke em ode iranjé,e uma função específica em ajalamo ambos sobre o controle de ori.
ajalamo é um lugar muito interessante em ifé, é um lugar em que um vai em espírito para escolher seu ori. e a pessoa designada a este lugar é chamada de ajalamopin,o moldador de ori ou cabeças,e orisanlá cuida de moldar os corpos.
há outro em ajalamo que não é mencionado,conhecido pelo nome de kori,o moldador dos espíritos de crianças. ori é aquele com axé que nos faz tê-lo.
é tão poderoso que até ifá tem de se submeter a sua vontade.
ori venceu todos os orixás e foi o único capaz de abrir o obi do axé. vontade dita como as coisas acontecem em nossa vida, se deixarmos ori para trás, nós perdemos o direito de reclamar sobre nossa situação.ninguém pode aprisionar nossa mente,mas só nós podemos. escravidão é uma armadilha mental e quando nós deixamos de lado nossos direitos a liberdade,nós nos mantemos escravos.
para obter o poder da vontade de mudar, primeiro temos de ter vontade. a maioria das pessoas aceita as condições estabelecidas,e não querem mudar. nós temos de ter vontade de sairmos um com olodumare.ori nos leva
diretamente a iwa que contem a palavra caráter. para o yorubás iwa não quer dizer cumprir as diretivas de olodumare que também é chamado de obá mimó,
oba pipé,significando “o rei puro ou o rei perfeito” ou alalá funfun oké “aquele de branco que habita no alto”
é esta força que dispersa que é chamado ifá iyà,ou o oráculo do coração. os oráculos do coração são as diretivas ou ordens de olodumare, aquilo que é o certo ou errado,que leva a cumprir ou não, o destino.todos nós sabemos o que é o certo porque isto também foi dado com o sopro de olodumare que pôs em nós.é o oráculo do coração que nos guia e determina nossa vida ética.o oráculo do coração é a consciência da pessoa. as leis de olodumare estão escritas no coração.
je èwo significa “comer o que é tabu” ou “fazer o que é proibido” e gbigba èwo significa “receber o tabu” ou “fazer o certo” (cumprir o preceito) esta é uma das maneiras que um é reconhecido, no desenvolvimento de iwa. mas antes mesmo de virmos para este mundo,nós aprendemos e recebemos diretivas enquanto espíritos e isto são o que nós chamamos de instintos,ou deja vu,a memória de ori.
as leis dos homens são feitas para controlar e tirar as escolhas. olodumare diz que cada um de nós tem escolha e que há uma punição divina. nós temos a oportunidade de escolher a direção em que queremos ir, mas temos de realizar que todas as dividas deverão ser pagas.é muito importante que nós mesmos escolhemos nossa própria direção para desenvolver iwa, por que isto determinara o sucesso ou insucesso de alcançarmos nosso destino.
a coroação final do nosso ori.
de acordo com um dos versos de ogunda meji,orunmilá reuniu todos os orixás e perguntou qual deles acompanhariam seus devotos numa viagem distante através do oceano sem desertá-los em nenhum lugar. xangô,o deus do trovão e o mais corajoso, respondeu que ele iria com seus devotos para qualquer lugar sem olhar para trás. orunmilá convenceu xangô que esta não era a resposta correta,e um por um ele convenceu cada um dos orixás que esta não era a resposta a sua pergunta. eles imploraram a orunmilá para revelar a resposta correta,a qual orunmilá respondeu que somente ori,a divindade pessoal de cada um,pode nos acompanhar até o lugar mais longínquo do mundo sem voltar atrás.
dai ele recitou:
“somente ori pode acompanhar o seu devoto a qualquer lugar sem retornar, se eu tenho dinheiro,é a meu ori que eu agradeço. meu ori, é você. se eu tenho filhos,é o meu ori que eu vou cultuar. meu ori,é você.por todas as coisas boas que eu tenho na terra,é o meu ori que eu cultuo.
Meu ori, é você “
Concepção de Orí
Cabeça no sentido literal da palavra. Mas, Orí no conceito yorùbá tem outras conotações além da simples cabeça física. Pois, para os Yorùbá existe o ORÍ-INÚ – a cabeça interior. Este Orí-inú é aquele que foi moldado por Àjàlá (o Oleiro fazedor de cabeças, descrito na lenda do Orí e a escolha do destino do homem).
Na lenda do Orí e a escolha do destino, conta que Àjàlá fabrica muitas cabeças no ÒRUN e que cada ser humano que vive no ÒRUN - Céu e está para viajar para o Ayé - Terra, vai à casa de Àjàlá para escolher o seu Orí. E a vida do homem na terra vai depender crucialmente da escolha do Orí que ele fez. Pois, acredita—se que essa escolha já predestina o homem ao sucesso ou ao fracasso em sua vida no Ayé.
Diz que Àjàlá é dado a tomar umas bebidas e ao ficar meio alto, ao fazer as cabeças Ele erra na composição da argamassa deixando-a fora do padrão necessário para ser moldada, muito arenosa ou excesso de liga.
Também cozendo-as, às vezes muito, o que as torna muito rígidas e ressecadas ficando muito duras, queimadas e quebradiças. Ou cozendo-as pouco, deixando-as quebradiças e esfarelentas. Às vezes, as moldando tortas que quando cozidas ficam rotas.
Ao escolher sua cabeça e seguir em direção ao àiyé, o ser humano atravessa vários ambientes como de calor excessivo de desertos: muito frio como das zonas gélidas da terra: zonas onde tem de atravessar tempestades com ventos e chuvas fortes. E se as cabeças não tiverem sido bem confeccionadas elas irão se danificar e ficarão em péssimo estado ao chegarem ao àiyé.
Dependendo do estado em que cheguem, se a cabeça estiver boa àquela pessoa trabalhará, e tudo o que fizer será para si mesmo, podendo prosperar na vida, alcançando o sucesso e a fortuna. Se a cabeça estiver danificada, aquela pessoa trabalhará e tudo o que conseguir será para gastar com os reparos no seu Orí.
Quando ele não foi muito danificado, os primeiro anos de vida dessa pessoa serão um pouco sacrificados, ela poderá passar por privações e dificuldades em virtude de não conseguir prosperar na vida, pois, tudo o que arrecadar irá para o conserto do seu Orí. Depois que ele terminar os reparos necessários, o que ele fizer será para si próprio, é então quando ele começa a prosperar em sua vida no àiyé.
Outras pessoas têm Orí tão danificados, que por mais que trabalhem na vida, jamais conseguirão consertar os danos do seu Orí. E tudo o que fizerem na vida será para gastar com seu Orí ruim. São aquelas pessoas que passam a vida toda vegetando, nunca conseguem fazer nem concluir as coisas, vivendo sempre na penúria e no aperto nunca possuindo nada de seu e não conseguindo serem felizes por mais que se esforcem, pois, tem um Orí ruim.
Mas, acredita-se que esses consertos podem ser feitos através de oferendas – Eborí – ebo Orí, que ajudarão a restaurar aquele Orí mais depressa, o que pode mudar um pouco essa predestinação. Não é porque a pessoa tem um bom Orí que ela poderá ficar sentada esperando tudo de bom na vida.
Ela está predestinada ao sucesso em sua vida, mas, desde que trabalhe para isso. Seus caminhos estarão sempre abertos para alcançar seus objetivos, esforçando-se para isso.
ÀJÀLÁ ORÍ, ORÍ L’EWÀ, L’EWÀ, L’EWÀ.
ÀJÀLÁ ORÍ, ORÍ L’EWÀ, L’EWÀ, L’EWÀ.
OPÉ ÈNYIN EDÙMARÈ, WÁ ORÍ, E KÚ Ó.
OPÉ ÈNYIN EDÙMARÈ, WÁ ORÍ, E KÚ Ó.
E KÚ Ó ÒRUN, E KÚ Ó ÒSÙPÁ, E KÚ ÒJÒ, ÒJÒ BÒ ILÈ.
E KÚ Ó ÒRUN, E KÚ Ó ÒSÙPÁ, E KÚ ÒJÒ, ÒJÒ BÒ ILÈ.
IRÉ ORÍ Ó JÍ, Ó JÍ IRE ORÍ,
IRÉ ORÍ Ó JÍ, Ó JÍ IRE ORÍ.
Àjàlá que molda cabeças, deixe este Orì lindo, lindo, lindo.
Agradeço-te Deus, venha para esta Cabeça, eu te saúdo.
Eu saúdo o Sol, eu saúdo a Lua, eu saúdo a Chuva, Chuva que cai sobre a Terra.
Vc será uma Cabeça feliz, acorde feliz Orí.
ORI O ORI O
ORI MI O!
SE RERE FUN MI!
MEU ORI!
SE ALEGRE COMIGO!
Para termos idéia quanto a importância e precedência do ORI em relação aos demais ORISA, um Itan do ODU OTURA MEJI, ao contar a história de um ORI que se perdeu no caminho que o conduzia do ORUN para o AIYE, relata: “… OGUN chamou ORI e perguntou-lhe, “Você não sabe que você é o mais velho entre os ORISA? Que você é o líder dos ORISA?’…”. Sem receio podemos dizer, “ORI mi a ba bo ki a to bo ORISA”, ou seja, “Meu ORI, que tem que ser cultuado antes que o ORISA” e temos um oriki dedicado à ORI que nos fala que ” KO SI ORISA TI DA NIGBE LEYIN ORI ENI”, significando, “… Não existe um ORISA que apóie mais o homem do que o seu próprio ORI…”.
Quando encontramos uma pessoa que, apesar de enfrentar na vida uma série de dificuldades relacionadas a ações negativas ou maldade de outras pessoas, continua encontrando recursos internos, força interior extraordinária, que lhe permitam a sobrevivência e, inclusive, muitas vezes, mantém resultados adequados de realização na vida, podemos dizer, “ENIYAN KO FE KI ERU FI ASO, ORI ENI NI SO NI”, ou seja, “as pessoas não querem que você sobreviva, mas o seu ORI trabalha para você”, trazendo, essa expressão, um indicador muito importante de que um ORI resistente e forte é capaz de cuidar do homem e garantir-lhe a sobrevivência social e as relações com a vida, apesar das dificuldades que ele enfrente.
Esta é a razão pela qual o EBORÍ, forma de louvação e fortalecimento do ORI utilizada em nossa religião, é utilizado muitas vezes, precedendo ou, até, substituindo um EBO. Isso se faz para que a pessoa encontre recursos internos adequados, esta força interior de que falamos, seja à adequação ou ajustamento de suas condições frente às situações enfrentadas, seja quanto ao fortalecimento de suas reservas de energia e consequente integração com suas fontes de vitalidade.
É importante dizer que é o ORI que nos individualiza e, por conseqüência, nos diferencia dos demais habitantes do mundo. Essa diferenciação é de natureza interna e nada no plano das aparências físicas nos permite qualquer referencial de identificação dessas diferenças. . Sinalizando essa condição, talvez uma das maiores lições que possamos receber com respeito a ORI possa ser extraída do Itan ODU OSA MEJI, que reproduzimos a seguir e que é a resposta que foi dada por IFÁ para Mobowu, esposa de OGUN, quando ela foi lhe consultar:
"ORI BURUKU KI I WU TUULU.
A KI I DA ESE ASIWEREE MO LOJU-ONA.
A KI I M’ ORI OLOYE LAWUJO.
A DIA FUN MOBOWU TI I SE OBINRIN OGUN.
ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO KI TOKO-TAYA O MO PE’RAA WON NI WERE MO.
ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO.”
TRADUÇÃO
"Uma pessoa de mau ORI não nasce com a cabeça diferente das outras.
Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua.
Uma pessoa que é líder não é diferente E também é difícil de ser reconhecida.
É o que foi dito à Mobowu, esposa de OGUN, que foi consultar IFÁ.
Tanto esposo como esposa não deviam se maltratar tanto, Nem fisicamente, nem espiritualmente.
O motivo é que o ORI vai ser coroado E ninguém sabe como será o futuro da pessoa.”
Para os yorubá o ser humano é descrito como constituído dos seguintes elementos:
ARA, OJIJI, OKAN, EMI e ORI.
  
ARA é corpo físico, a casa ou templo dos demais componentes.
OJIJI é o “fantasma” humano, é a representação visível da essência espiritual.
OKAN é o coração físico, sede da inteligência, do pensamento e da ação.
EMI, está associado a respiração, é o sopro divino.
  
Quando um homem morre, diz-se que seu EMI partiu.
ORI é o ORISA pessoal, em toda a sua força e grandeza. ORI é o primeiro ORISA a ser louvado, representação particular da existência individualizada (a essência real do ser). É aquele que guia, acompanha e ajuda a pessoa desde antes do nascimento, durante toda vida e após a morte, referenciando sua caminhada e a assistindo no cumprimento de seu destino.

ORI em yorubá tem muitos significados - o sentido literal é cabeça física, símbolo da cabeça interior (ORI INU). Espiritualmente, a cabeça como o ponto mais alto (ou superior) do corpo humano representa o ORI.

Enquanto ORISA pessoal de cada ser humano, com certeza ele está mais interessado na realização e na felicidade de cada homem do que qualquer outro ORISA. Da mesma forma, mais do que qualquer um, ele conhece as necessidades de cada homem em sua caminhada pela vida e, nos acertos e desacertos de cada um, tem os recursos adequados e todos os indicadores que permitem a reorganização dos sistemas pessoais referentes a cada ser humano. Reforçando esta questão temos um oriki que nos diz
"ORI LO NDA ENI
ESI ONDAYE ORISA LO NPA ENI DA
O NPA ORISA DA
ORISA LO PA NIDA
BI ISU WON SUN
AYÉ MA PA TEMI DA
KI ORI MI MA SE ORI
KI ORI MI MA GBA ABODI”
TRADUÇÃO
"ORI é o criador de todas as coisas
ORI é que faz tudo acontecer, antes da vida começar
É ORISA que pode mudar o homem
Ninguém consegue mudar ORISA
ORISA que muda a vida do homem como inhame assado
AYÉ*, não mude o meu destino
Para que o meu ORI não deixe que as pessoas me desrespeitem
Que o meu ORI não me deixe ser desrespeitado por ninguém
Meu ORI, não aceite o mal.”
(* AYÉ - conjunto das forças do bem e do mal)
Como foi dito, não existe um ORISA que apóie mais o homem do que o seu próprio ORI: um trecho do adura (reza) feito durante o assentamento de um IGBA-ORI diz:
KORIKORI
Que com o àse do próprio ORI, O ORI vai sobreviver
KOROKORO
Da mesma forma que o ORI de Afuwape sobreviveu, O seu sobreviverá. Ele será favorável a você. Tudo de que você precisa, Tudo o que você quer para a sua vida, É ao seu ORI que você deverá pedir. É o ORI do homem que ouve o seu sofrimento…”
O que é então ORI, de que a natureza é constituído e qual o seu papel na vida do homem? Em primeiro lugar, acredita-se que o corpo humano é constituído de duas partes: a cabeça e o suporte - ORI e APERE. Acredita-se que este corpo adquire existência na medida em que recebe de OLODUMARE o sopro vivificador - o EMI.
Este sopro foi o agente do processo da criação em seu primeiro momento e tem sido o responsável pela geração e continuidade de toda a vida no universo.
Este modelo descrito e de entendimento abrangente para todas as formas de vida é repetido no ser humano. A cabeça e o seu suporte, ORI-APERE são formados a partir dos elementos matrizes, enquanto o ORI-INU, interior, representa, na sua constituição, uma combinação de elementos, porções de matéria-massa que é particularizada durante o processo de modelagem de cada ORI. Ele é único e, por conta disso, particulariza e dá individualização à existência.
Essa combinação “química” definirá parte das relações do homem com o mundo sobrenatural e a religião, na medida em que determina o seu ELEDA, ORISA - símbolo do elemento cósmico de formação, a que chamamos, adiante, de IPORI, daquele ORI-INU em particular.
No Brasil vimos, com certa frequência, o ELEDA ser chamado de ORISA-ORI, simplificação da relação aqui exposta. ELEDA segundo Juana Elbein dos Santos em Os Nagô e a Morte, “se refere à entidade sobrenatural, à matéria-massa que desprendeu uma porção da mesma para criar um ORI, consequentemente Criador de cabeças individuais…”
No ODU OGBEYONU (Ogbe Ogunda) vamos encontrar ainda, “… Quando acordo pela manhã coloco minha mão no ORI. ORI é fonte de sorte. ORI é ORI!…”.
É um oriki dedicado à ORI, mostrando o papel que ORI tem na vida de cada pessoa quanto as suas relações interpessoais, suas relações com as outras pessoas, e as suas condições de realização e progresso em todos os empreendimentos da vida, nos diz:
"ORI MI
MO KE PE O O
ORI MI
A PE JE
ORI MI
WA JE MI O
KI NDI OLOWO O
KI NDI OLOLA
KI NDI ENI A PE SIN
LAYE
O, ORI MI
LORI A JIKI
ORI MI LORI A JI YO MO LAYE”
TRADUÇÃO
Meu ORI
Eu grito chamando por você
Meu ORI,
Me responda
Meu ORI,
Venha me atender
Para que eu seja uma pessoa rica e próspera
Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem
Oh, meu ORI!
A ser louvado pela manhã,
Que todos encontrem alegria comigo”
Toda existência no universo da Criação se processa em dois planos: O mundo visível, o AIYE, universo concreto que habitamos, e o mundo invisível, ORUN, onde habitam os seres sobrenaturais e os “duplos” de tudo o que se encontra manifestado no AIYE. Não são, como é possível pensar, mundos independentes ou rigidamente separados. Na realidade podemos afirmar que o AIYE é, antes de mais nada, uma “projeção” da realidade essencial que tem existência e se processa no ORUN.
Como diz a Profa. Dra. Iyakemi Ribeiro, em seu livro “Alma Africana no Brasil: os iorubás”, “Para o negro-africano o visível constitui manifestação do invisível. Para além das aparências encontra-se a realidade, o sentido, o ser que através das aparências se manifesta. Sob toda manifestação viva reside uma força vital: de Deus a um grão de areia, o universo africano é sem costura. (Erny, 1968:19) Universo de correspondências, analogias e interações, no qual o homem e todos os demais seres constituem uma única rede de forças.”
É necessário entender, assim, que AIYE e ORUN constituem uma unidade e, enquanto expressões de dois níveis de existência, são inseparáveis e complementares. Essa unidade é simbolizada pelo IGBA-ODU, cabaça formada de duas metades unidas onde a parte inferior representa o AIYE e a parte superior representa o ORUN. No interior, os “elementos
indispensáveis à existência individualizada”. Poderia ser representada por uma figura e sua imagem refletida no espelho - há plena identidade entre elas, uma é apenas a imagem invertida da outra.
Podemos dizer nessa figuração que o AIYE é a imagem refletida do ORUN. Essa analogia provavelmente explica a situação conhecida de que os ODU, quando vieram do ORUN para o AIYE, tiveram sua ordem de precedência invertida. Ou seja, muito embora no AIYE considere-se EJIOGBE MEJI como o mais antigo dos ODU, todo Babalawo saúda OFUN MEJI, ou ORANGUN MEJI como é também conhecido, em sua realeza, dizendo: eepa ODU!, Louvando assim sua antiguidade e sua precedência efetiva.
Temos assim que toda existência no AIYE reflete uma realidade anterior existente no ORUN. A existência no AIYE implica em processar-se uma “modelagem” anterior no ORUN, a partir da qual porções de matérias-massas que constituem a base da existência genérica são tomadas em fragmentos particulares e vão constituir a manifestação dessa existência em forma individualizada no AIYE.
Esses elementos matrizes possuem, por consequência, dupla existência: uma parcela presente no ORUN e a outra parcela dando vitalidade ou formação às diferentes partes que formam a “realidade” individualizada de vida. A esses fragmentos particulares retirados da massa genitora chamamos IPORI e é ele, IPORI, que determinará o ORISA que cada indivíduo cultuará no AIYE, condicionando também sua instrumentalização particular na relação com a vida e o repertório possível de escolhas que possa realizar.
A RESPEITO DO DESTINO HUMANO
Podemos perceber que a compreensão sobre o papel que ORI desempenha na vida de cada homem está intimamente relacionado à crença na predestinação - na aceitação de que o sucesso ou o insucesso de um homem depende em larga escala do destino pessoal que ele traz na vinda do ORUN para o AIYE. A esse destino pessoal chamamos KADARA ou IPIN e é entendido que o homem o recebe no mesmo momento em que escolhe livremente o ORI com que vai vir para a terra.
ORI desempenha um papel importante para os seguidores de IFÁ. Nele acredita-se que escolhemos nossos próprios destinos. E nós o fazemos mediante os auspícios do ORISA IJALA MOPIN. A esfera de ação de IJALA é junto a OLODUMARE e é ele que sanciona as escolhas de destino que fazemos. Essas escolhas são documentadas pelas divindades que chamamos de ALUDUNDUN. Um verso de IFÁ explica esta questão: “
"Você disse que foi apanhar o seu ORI.
Você sabia onde Afuwape apanhou o seu ORI?
Você poderia ter ido lá para apanhar o seu.
Nós pegamos nossos ORI nos domínios de IJALA,
Assim somente nossos destinos diferem”
IJALA é responsável pela modelação da cabeça humana, e acredita-se que o ORI e o ODU - signo regente de seu destino que escolhemos, determina nossa fortuna ou atribulações na vida, como foi dito. IJALA, embora notável em sua habilidade, não é muito responsável e, por isso, muitas vezes modela cabeças defeituosas: pode esquecer de colocar alguns acabamentos ou detalhes desnecessários, como pode, ao levá-las ao forno para queimar, deixá-las por um tempo demasiado ou insuficiente.
Tais cabeças tornam-se assim, potencialmente fracas, incapazes de empreender a longa jornada para a terra, sem prejuízos. Se, desafortunadamente, um homem escolhe uma dessas cabeças mal modeladas, estará destinando a fracassar na vida.
Durante sua jornada para a terra, a cabeça que permaneceu por tempo insuficiente ou demasiado no forno, poderá não resistir à ação de uma chuva forte e chegará mais danificada ainda. Todo o esforço empreendido para obter sucesso na vida terrena terá grande parte de seus efeitos desviada para reparar tais estragos.
Pelo contrário, se um homem tem a sorte de escolher uma das cabeças realmente boas, tornar-se próspero e bem sucedido na terra, uma vez que sua cabeça chega intacta e seus esforços redundam em construção real de tudo aquilo que se proponha a realizar.
O trabalho árduo trará, ao homem afortunado em sua escolha, excelentes resultados, já que nada é necessário dispender para reparar a própria cabeça. Assim, para usufruir o sucesso potencial que a escolha de um bom ORI acarreta, o homem deve trabalhar arduamente. Aqueles, entretanto que escolheram um mau ORI têm poucas esperanças de progresso, ainda que passem o tempo todo se esforçando.
Sendo estes os pressupostos, retomamos as perguntas: Como saber se a escolha do próprio ORI foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem?
O Jogo divinatório de IFÁ possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ORI, saiba a respeito do ORISA ou IRUNMALE que deve ser cultuado e conheça seus EWO - proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais.
Muitas referências são feitas às relações entre ORI e o destino pessoal. O destino descrito como IPIN ORI - a sina do ORI - pode ser dividido em três partes: AKUNLEYAN, AKUNLEGBA E AYANMO.
AKUNLEYAN é o pedido que você fez no domínio de IJALA - o que você gostaria especificamente durante seu período de vida na terra: o número de anos que você desejaria passar na terra, os tipos de sucesso que você espera obter, os tipos de parentes que você deseja.
AKUNLEGBA são aquelas coisas dadas a um indivíduo para ajudá-lo a realizar esses desejos. Por exemplo: uma criança que deseja morrer na infância pode nascer durante uma epidemia para garantir a morte dele ou dela.
AYANMO é aquela parte do nosso destino que não pode ser mudada: nosso gênero (sexo) ou a família em que nascemos, por exemplo.
Ambos, AKUNLEYAN e AKUNLEGBA podem ser alterados ou modificados quer para bom ou para mau, dependendo das circunstâncias.
Assim o destino descrito como IPIN ORI - a sina do ORI pode sofrer alterações em decorrência da ação de pessoas más chamadas como ARAYE - filhos do mundo, também chamadas AIYE - o mundo ou ainda, ELENINI - implacáveis (amargos, sádicos, inexoráveis) inimigos das pessoas.
Entre estes encontram-se as ÀJÉ - bruxas, os OSO - feiticeiros, os envenenadores e todos aqueles que se dedicam a práticas malignas com intuito de estragar qualquer oportunidade de sucesso humano.
Sacrifício e ritual podem ajudar a melhorar as condições desfavoráveis que podem ter resultados destas maquinações maléficas imprevisíveis.
Todo ORI, embora criado bom, acha-se sujeito a mudanças. Vimos que feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria conduta podem transformar negativamente um ORI, sendo sinal dessa transformação uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus esforços para melhorar.
O ORI, entidade parcialmente independente, considerado uma divindade em si próprio, é cultuado entre outras divindades, recebendo oferendas e orações. Quando ORI INU está bem, todo o ser do homem está em boas condições.
Como foi dito, nossos ORI espirituais são por eles mesmos subdivididos em dois elementos: APARI-INU e ORI APERE - APARI-INU representa o caráter (natureza), ORI APERE representa o destino.
Um indivíduo pode vir para a terra com um destino maravilhoso, mas se ele ou ela vem com mau caráter (natureza), a probabilidade de desempenho (cumprimento, execução) desse destino é severamente comprometida.
O destino também pode ser afetado, então, pelo caráter da própria pessoa. Um bom destino deve ser sustentado por um bom caráter.
Este é como uma divindade: se bem cultuado concede sua proteção. Assim, o destino humano pode ser arruinado pela ação do homem.
IWA RE LAYE YII NI YOO DA O LEJO, ou seja, - “Seu caráter, na terra, proferirá sentença contra você”.
No ODU de OGBEOGUNDA, IFÁ diz:
"Um pilão realiza três funções
Ele tritura inhame
Ele tritura índigo
Ele é usado como uma tranca atrás da porta
Foi feito um jogo adivinhatório para Oriseku, Ori-Elemere e Afuwape
Quando eles foram escolher seus destinos nos domínios de IJALA - MOPIN
Foi solicitado para eles que realizassem rituais
Somente Afuwape realizou os rituais que foram solicitados.
Ele, em consequência, tornou-se muito afortunado.
Os outros lamentaram, disseram que se soubessem onde Afuwape escolheria seu ORI, eles teriam ido até lá para escolher os seus também.
Afuwape respondeu que, embora seus ORI fossem escolhidos no mesmo lugar, seus destinos é que diferiam.”
A questão que aí se apresenta é que somente Afuwape mostrou bom caráter. Respeitando sua crença e realizando seus sacrifícios, ele trouxe as bênçãos potenciais de seu destino para a efetiva realização. Seus amigos Oriseku e Ori-Elemere falharam em mostrar bom caráter pela recusa em realizar seus rituais e, por isso suas vidas sofreram as consequências.
O nome IPIN está igualmente associado à ORUNMILÁ, conhecido como ELERI-IPIN - o Senhor do Destino e que é aquele que esteve presente no momento da criação, conhecendo todos os ORI, assistindo o compromisso do homem com seu destino, os objetivos de cada um no momento de sua vinda para o AIYE, o programa particular de desenvolvimento de cada ser humano e sua instrumentalização para o cumprimento desse programa.
ORUNMILÁ conhece todos os destinos humanos e procura ajudar os homens a trilhar seus verdadeiros caminhos. Temos, assim, que um dos papeis mais importantes de IFÁ em relação ao homem, além de ser o intérprete da relação entre os ORISA e o homem, é o de ser o intermediário entre cada um e o seu ORI, entre cada homem e os desejos de seu ORI. Apenas como registro, é preciso entender que esse mesmo papel ORUNMILÁ tem na relação com os demais ORISA, sendo o intermediário entre cada um e o seu ORI. E ORUNMILÁ, Ele mesmo, consulta IFÁ!
Nos momentos de crise, a consulta ao oráculo de IFÁ permite acesso a instruções a respeito dos procedimentos desejáveis, sendo considerados bons procedimentos os que não entram em desacordo com os propósitos do ORI.
O ser que cumpre integralmente seu IPIN-ORI (destino do ORI), amadurece para a morte e, recebendo os ritos fúnebres adequados, alcança a condição de ancestral ao passar do AIYE para o ORUN.
Há a crença na existência de duas áreas ocupadas por espíritos dos mortos: ORUN RERE - o bom “céu”, habitado pelas divindades e ancestrais, e ORUN APAADI - o “céu” de muitas infelicidades, habitado pelos infelizes que sofreram má sorte e pelos maus, julgados pelo Ser Supremo, segundo o ser caráter. Estes últimos ficam condenados à solidão e ao esquecimento, sem direito a lembrança ou a aparecerem em sonhos e visões - morrem totalmente.
ORUN RERE, por outro lado, é prazeiroso e sereno, vivendo os espíritos numa comunidade composta de parentes e amigos. Podem também permanecer junto aos familiares e intervir em suas atividades diárias, sendo-lhes permitido reencarnar em alguma criança nascida no âmbito familiar.
A respeito do ORI, resta ainda lembrar que trata-se de uma divindade pessoal, a mais interessada de todas no bem estar de seu devoto. Se o ORI de um homem não simpatiza com sua causa, aquilo que ele deseja não pode ser concedido nem por OLODUMARE, nem pelos ORISA.
Da mesma forma se o caráter de um indivíduo é mau, sua escolha de destino pode não se realizar. Se nossa situação é realmente de um mau destino, e não é uma consequência de nosso caráter ou comportamento, então nosso ORI-APERE precisa ser apaziguado.
Oferendas prescritas ou rituais devem ser realizados para nos trazer de volta a um alinhamento saudável.
Considera-se vital para todo homem recorrer a IFÁ, sistema divinatório de consulta a ORUNMILÁ, a intervalos regulares para tomar conhecimento do que agrada ou desagrada o próprio ORI. Enquanto intermediário entre a pessoa e as divindades (entre as quais o próprio ORI)
IFÁ não apenas informa sobre os desejos divinos, mas também conduz os sacrifícios ofertados às divindades para que estas possam cumprir seu papel: ajudar os ORI a conduzirem as pessoas à realização do próprio destino.
Se as coisas estão indo mal em sua vida, antes de apontar um dedo acusador para as bruxas, para feitiços ou para seus inimigos, examine sua natureza.
Se Você tem por hábito maltratar as pessoas ou não considerar seus sentimentos, não procure qualquer felicidade ou sorte em sua vida, não importando o quanto Você possa ser bem sucedido materialmente.
Se, por outro lado, Você ajuda os outros e dá felicidade a eles, sua vida será cheia, não só de riquezas, mas também de alegria e felicidade. No entanto, lembre-se, é decididamente muito mais fácil alterar seu destino do que sua natureza.
"Por toda parte onde ORI seja próspero, deixe-me estar incluído,
Por toda parte onde ORI seja fértil, deixe-me estar incluído,
Por toda parte onde ORI tenha todas as coisas boas da vida, deixe-me estar incluído.
ORI, coloque-me em boa situação na vida,
Que meus pés me conduzam para onde as coisas me sejam favoráveis.
Para onde IFÁ está me levando eu nunca sei
Jogaram para Assore no início de sua vida.
Se há qualquer condição melhor do que aquela em que estou no presente,
Que possa meu ORI não falhar em colocar-me nela.
Meu ORI me ajude! Meu ORI faça-me próspero!
ORIN ORI
Ori ka f’anjá Ori ô Ori ka f’anjá
Ori ká f’anjá Ori ô Ori ka f’ajnjá
Ori ká f’anjá alá umbó bàbá lá toloxé
Agô ni kekerê kerê kê
Agô ni kekerê kerê kê eru janjan
Ori ka f’anjá Ori ô Ori ka f’anjá
Ori ká f’anjá Ori ô Ori ka f’ajnjá
Ori ká f’anjá alá umbó bàbá la toloxé
Ago ni kekerê kerê kê
Agô ni kekerê kerê kê eru janjan
Orí ô Ori apere
Lé fibô didê lésé orixá
Apere ô ori ô orí apere
Lé fibô didê lésé orixá
Ori ô Ori xê
Awa dá meuá l’apere ô ori ô
Ori xê e uá lese orixá
Ori gbó apere
Orí gbó mó gbó tijí
Orí gbó a pe re
Ori gbó mó gbó tijí
Ori loman bó inxê
Ori loman
Iyemoja mi xekê mi ô
Iyemoja mi xekê mi rô
Orí ô Iyemoja mi xekê mi ô
Ori mi ô xererê fun mi
Ori mi ô xererê fun mi
Ori oká unsanu oka
Ori ejo unsanu ejô
Afomo opué
Ori mi ô xererê fun mi
O guégué oló guégué
O guégué Ori umbó
Ori mi axé um o yê
Oni dôdô ori man i man yin
Oni dôdô ori man i man yin
Ibá ti kotá lobé fakalé
E a um ô loni á fi a jí
Omobá olokó ilé
Omobá olokó ilé
Omobé yi delê
Omobé yi delê o yê
Omobá olokó ilé
ORI é o protetor do homem antes das divindades.”

O porque que se enfeita Iroko Baba Igi

O Princípio de Tudo

Hoje falo também do princípio de tudo segundo a visão dos Yorùbás. Todas as religiões acreditam num modo de criação do mundo e, com o Candomblé não é diferente. Dessa forma, transcrevemos abaixo, uma das mais importantes histórias do oráculo de Ifá, publicado por Juanita Elbein dos Santos, que discorre sobre a criação do mundo em que vivemos.

Quando Olórun decidiu criar a terra, chamou Obàtálà, entregou-lhe o Àpò Ìwà (saco da existência) e deu-lhe as instruções necessárias para a realização da magna tarefa. Obàtálà reuniu todos os Òrìsà e preparou-se, sem perda de tempo. De saída, encontrou-se com Odùduwà que lhe disse que só o acompanharia após realizar suas obrigações rituais, já no Òna-Òrun, caminho, Obàtálà passou diante de Èsù. Este, o grande controlador e transportador de sacrifícios que domina os caminhos, perguntou-lhe se já tinha feito as oferendas propiciatórias. Sem se deter, Obàtálà respondeu-lhe que não tinha feito nada e seguiu seu caminho sem dar mais importância a questão. E foi assim que Èsù sentenciou que nada do que ele se propunha empreender seria realizado.

Em efeito, enquanto Obàtálà seguia seu caminho começou a ter sede. Passou perto de um rio, mas não parou. Passou por uma aldeia onde lhe ofereceram leite, mas ele não aceitou. Continuou andando. Sua sede aumentava e era insuportável. De repente, viu diante de si uma palmeira (“Igi-Òpe” - Dendezeiro - “Elaeis Guineenssis”) e, sem se poder conter, plantou no tronco da árvore seu cajado ritual, o Òpásóró, e bebeu a seiva (“emú” - vinho de palma). Bebeu insaciavelmente até que suas forças o abandonaram, até perder os sentidos e ficou estendido no meio do caminho.

Nesse meio tempo, Odùduwà, que foi consultar Ifá, fazia suas oferendas à Èsù. Seguindo os conselhos dos Babaláwos, ele trouxera cinco galinhas, das que têm cinco dedos em cada pata, cinco pombos, um camaleão, dois mil elos de cadeia e todos os outros elementos que acompanham o sacrifício. Èsù apanhou estes últimos e uma pena da cabeça de cada ave e devolveu a Odùduwà a cadeia, as aves e o camaleão vivos.

Odùduwà consultou outra vez os Babaláwos que lhe indicaram ser necessário, agora, efetuar um ebo, aos pés de Olórun, de duzentos ìgbín, os caracóis que contêm o “sangue branco”, “a água que apazigua”, Omí-Èrò. Quando Odùduwà levou o cesto com ìgbín, Olórun aborreceu-se vendo que Odùduwà ainda não tinha partido com os outros. Odùduwà não perdeu sua calma e explicou que estava obedecendo as ordens de Ifá. Foi assim que Olórun decidiu aceitar a oferenda e ao abrir seu Àpére-Odù - espécie de grande almofada onde geralmente ele está sentado - para colocar a água dos ìgbín, viu com surpresa, que não havia colocado no Àpò Ìwà - bolsa da existência - entregue a Obàtálà, um pequeno saco contendo a terra. Ele entregou nas mãos de Odùduwà para que ele, por sua vez, a remetesse a Obàtálà…

roko

Orixá representado pela mais suntuosa árvore das casas de candomblé e o guardião das matas. Representa a dinastia dos orixás e ancestrais, seus filhos são raríssimos na religião, porém, não há nada mais bonito de se ver do que uma grande árvore de iroko, é protetor das variações climática. Tem ligação com o orixa Aira e Oxalá. Poderosa árvore da floresta, em cujos galhos se abrigam divindades e ancestrais aos pés da qual são depositadas as oferendas para as Ìyàmi Ajè.

Poderosa árvore da floresta, cujas raízes alcançam o Òrún ancestral e o tronco majestoso serve como apoio ao próprio Olòfín.

Iroko é partícipe do culto ancestral feito às árvores sagradas (Iroko, Apaoka, Akoko etc).

No Brasil é considerado o protetor de todas as árvores, sendo associado particularmente à gameleira branca. Seu cultoestá intimamente associado ao de Osànyín, a Divindade das Folhas litúrgicas e medicinais.
É o Òrìsà da floresta, das árvores, do espaço aberto; por extensão governa o tempo em seus múltiplos aspectos, função que o equipara a Airá (divindade da família de Sangò).

É cultuado pelas nações de origem dahomeana (Mina-Gêge, Gêge-Mahi) com o nome de Lokó e pelos Banto-sudaneses pelo nome de Zaratembo (a divindade Tempo da nação de Angola).
É referido como “Òrìsà do grande pano branco que envolve o mundo”, numa alusão clara às nuvens do Céu.

As árvores nas quais Iroko é cultuado normalmente são de grande porte; são enfeitadas com grandes laços de pano alvo (oja fúnfún) e ao pé dessas árvores são colocadas suas oferendas, notadamente nas casas de origem Ketu, onde recebe lugar de destaque. Jamais uma dessas árvores pode ser derrubada sem trazer sérias consequências para a comunidade.

No culto aos Vodún, Loko ocupa lugar destacado, comparado somente à Lisa (Osalá) e Dan (Osùmarè).

Iroko é invocado em questões difíceis, tais como desaparecimento de pessoas ou problemas de saúde, inclusive a mental. Seus filhos são altivos e generosos, robustos na constituição, extremamente atentos a tudo o que ocorre a sua volta.

Lendas

Iroco castiga a mãe que não lhe dá o filho prometido…

No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Iroco. Iroco foi a primeira de todas as árvores, mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro. Na mais velha das árvores de Iroco, morava seu espírito. E o espírito de Iroco era capaz de muitas mágicas e magias. Iroco assombrava todo mundo, assim se divertia. À noite saia com uma tocha na mão, assustando os caçadores. Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco. Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal. Todos temiam Iroco e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.

Numa certa época, nenhuma das mulheres da aldeia engravidava. Já não havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi então que as mulheres tiveram a idéia de recorrer aos mágicos poderes de Iroco. Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar para a grande planta face a face, pois, os que olhavam Iroco de frente enlouqueciam e morriam. Suplicaram a Iroco, pediram a ele que lhes desse filhos. Ele quis logo saber o que teria em troca. As mulheres eram, em sua maioria, esposas de lavradores e prometeram a Iroko milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Cada uma prometia o que o marido tinha para dar. Uma das suplicantes, chamada Olurombi, era a mulher do entalhador e seu marido não tinha nada daquilo para oferecer. Olurombi não sabia o que fazer e, no desespero, prometeu dar a Iroco o primeiro filho que tivesse.

Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-nascidos. As jovens mães, felizes e gratas, foram levar a Iroco suas prendas. Em torno do tronco de Iroco depositaram suas oferendas. Assim Iroco recebeu milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Olurombi contou toda a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o marido apegaram-se demais ao menino prometido.

No dia da oferenda, Olurombi ficou de longe, segurando nos braços trêmulos, temerosa, o filhinho tão querido. E o tempo passou. Olurombi mantinha a criança longe da árvore e, assim, o menino crescia forte e sadio. Mas um belo dia, passava Olurombi pelas imediações do Iroco, entretida que estava, vindo do mercado, quando, no meio da estrada, bem na sua frente, saltou o temível espírito da árvore. Disse Iroco: “Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa.”
E transformou Olurombi num pássaro e ele voou para a copa de Iroco para ali viver para sempre.

Olurombi nunca voltou para casa, e o entalhador a procurou, em vão, por toda parte. Ele mantinha o menino em casa, longe de todos. Todos os que passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome de cada oferenda feita a Iroco.

Até que um dia, quando o artesão passava perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim: “Uma prometeu milho e deu o milho; Outra prometeu inhame e trouxe inhames; Uma prometeu frutas e entregou as frutas; Outra deu o cabrito e outra, o carneiro, sempre conforme a promessa que foi feita. Só quem prometeu a criança não cumpriu o prometido.”

Ouvindo o relato de uma história que julgava esquecida, o marido de Olurombi entendeu tudo imediatamente. Sim, só podia ser Olurombi, enfeitiçada por Iroco. Ele tinha que salvar sua mulher!

Mas como, se amava tanto seu pequeno filho?

Ele pensou e pensou e teve uma grande idéia. Foi à floresta, escolheu o mais belo lenho de Iroco, levou-o para casa e começou a entalhar. Da madeira entalhada fez uma cópia do rebento, o mais perfeito boneco que jamais havia esculpido.

O fez com os doces traços do filho, sempre alegre, sempre sorridente. Depois poliu e pintou o boneco com esmero, preparando-o com a água perfumada das ervas sagradas. Vestiu a figura de pau com as melhores roupas do menino e a enfeitou com ricas jóias de família e raros adornos.

Quando pronto, ele levou o menino de pau a Iroco e o depositou aos pés da árvore sagrada. Iroco gostou muito do presente. Era o menino que ele tanto esperava!

E o menino sorria sempre, sua expressão, de alegria.

Iroco apreciou sobremaneira o fato de que ele jamais se assustava quando seus olhos se cruzavam. Não fugia dele como os demais mortais, não gritava de pavor e nem lhe dava as costas, com medo de o olhar de frente. Iroco estava feliz. Embalando a criança, seu pequeno menino de pau, batia ritmadamente com os pés no solo e cantava animadamente. Tendo sido paga, enfim, a antiga promessa, Iroco devolveu a Olurombi a forma de mulher. Aliviada e feliz, ela voltou para casa, voltou para o marido artesão e para o filho, já crescido e enfim libertado da promessa.

Alguns dias depois, os três levaram para Iroco muitas oferendas. Levaram ebós de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore.

Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e contentes com o retorno de Olurombi. Até hoje todos levam oferendas a Iroco. Porque Iroco dá o que as pessoas pedem. E todos dão para Iroco o prometido.

Lenda 79 do LIvro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi

Iroco ajuda a feiticeira a vingar o filho morto…

Iroco era um homem bonito e forte e tinha duas irmãs. Uma delas era Ajé, a feiticeira, a outra era Ogboí, que era uma mulher normal. Ajé era feiticeira, Ogboí, não. Iroco e suas irmãs vieram juntos do Orun para habitar no Ayê. Iroco foi morar numa frondosa árvore e suas irmãs em casas comuns. Ogboí teve dez filhos e Ajé teve só um, um passarinho.

Um dia, quando Ogboí teve que se ausentar, deixou os dez filhos sob a guarda de Ajé. Ela cuidou bem das crianças até a volta da irmã. Mais tarde, quando Ajé teve também que viajar, deixou o filho pássaro com Ogboí. Foi então que os filhos de Ogbói pediram à mãe que queriam comer um passarinho. Ela lhes ofereceu uma galinha, mas eles, de olhos no primo, recusaram. Gritavam de fome, queriam comer, mas tinha que ser um pássaro. A mãe foi então foi a floresta caçar passarinhos, que seus filhos insistiam em comer. Na ausência da mãe, os filhos de Ogboí mataram, cozinharam e comeram o filho de Ajé. Quando Ajé voltou e se deu por conta da tragédia, partiu desesperada a procura de Iroco. Iroco a recebeu em sua árvore, onde mora até hoje. E de lá, Iroco vingou Ajé, lançando golpes sobre os filhos de Ogboí. Desesperada com a perda de metade de seus filhos e para evitar a morte dos demais, Ogoí ofereceu sacrifícios para o irmão Iroco. Deu-lhe um cabrito e outras coisas e mais um cabrito para Exú. Iroco aceitou o sacrifício e poupou os demais filhos. Ogboí é a mãe de todas as mulheres comuns, mulheres que não são feiticeiras, mulheres que sempre perdem filhos para aplacar a cólera de Ajé e de suas filhas feiticeiras. Iroco mora na gameleira branca e trata de oferecere a sua justiça na disputa entre as feiticeiras e as mulheres comuns.

Lenda 80 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi

Iroco engole a devota que não cumpre a interdição sexual…

Era uma vez uma mulher sem filhos, que ansiava desesperadamente por um herdeiro. Ela foi consultar o babalawo e o babalawo lhe disse como proceder.

Ela deveria ir à árvore de Iroco e a Iroco oferecer um sacrifício. Comidas e bebidas que ele prescreveu a mulher concordou em oferecer. Com panos vistosos ela fez laços e com os laços ela enfeitou o pé de Iroco. Aos seus pés depositou o seu ebó, tudo como mandara o adivinho. Mas de importante preceito ela se esqueceu. A mulher que queria ter um filho deu tudo a Iroco, quase tudo. O babalawo mandara que nós três dias antes do ebó ela deixasse de ter relações sexuais. Só então, assim, com o corpo limpo, deveria entregar o ebó aos pés da árvore sagrada. A mulher disso se esqueceu e não negou deitar-se com o marido nos três que precediam o ebó.

Iroco irritou-se com a ofensa, abriu uma grande boca em seu grosso tronco e engoliu quase totalmente a mulher, deixando de fora só os ombros e a cabeça. A mulher gritava feito louca por ajuda e toda a aldeia correu para o velho Iroco. Todos assistiam o desespero da mulher. O babalawo foi também até a árvore e fez seu jogo e o jogo que o babalawo fez para a mulher revelou sua ofensa,sua oferta com o corpo sujo, porque para fazer oferenda para Iroco é preciso ter o corpo limpo e isso ela não tinha.

Mas a mulher estava arrependida e a grande árvore deixou que ela fosse libertada. Toda a aldeia ali reunida regozijou-se pela mulher. Todos cantaram e dançaram de alegria. Todos deram vivas a Iroco.

Tempos depois a mulher percebeu que estava grávida e preparou novos laços de vistosos panos e enfeitou agradecida a planta imensa. Tudo ofereceu-lhe do melhor, antes resguardando-se para ter o corpo limpo. Quando nasceu o filho tão esperado, ela foi ao babalawo e ele leu o futuro da criança: deveria ser iniciada para Iroco. Assim foi feito e Iroco teve muitos devotos. E seu tronco está sempre enfeitado e aos seus pés não lhe faltam oferendas.

Fontes: Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó e Lenda 81 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi

Encantos Ciganos

Podemos utilizar algumas medidas mágiicas como por exemplo: o auxílio de mandalas. Em sânscrito, a palavra significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela a delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.

Geralmente, as mandalas são pintadas como thangkas, representadas tridimensionalmente em madeira ou metal ou construídas com areia colorida sobre uma plataforma. As mandalas são muitas vezes constituídas por uma série de círculos concêntricos, cercados por um quadrado que, por sua vez, é cercado por outro círculo. As cores e formas são simples metáforas. Naturalmente, se percebemos uma paixão muito forte e intensa, podemos reproduzí - la em uma pintura com toda uma variedade de chamas e ornamentos . Em termos de artes plásticas, a mandala representa sempre uma grande profusão e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.

As mandalas ciganas são, na sua grande maioria, construídas com grãos e sementes que simbolizam a vida, nascimento e prosperidade. É  ideal que se tenha, na passagem do ano, uma dessas mandalas sobre a mesa de jantar, a estante, ou outro lugar onde a família costuma se reunir. Vejamos algumas mandalas que você poderá fazer:

- Num círculo de madeira, metal, barro, ou mesmo um prato de vidro, coloque seis qualidades de sementes: lentilhas, feijão colorido ( exceto preto ), sementes de girassol, milho ( grão inteiro ou partido ), arroz em casca e grão de bico, em círculos concêntricos. Cada círculo formado por um tipo de semente. No centro coloque uma pedra olho - de - tigre marrom ou vermelha , que absorve as energias negativas, transformando - as em positivas, alivia a insegurança e ajuda à descomplicar situações que nos parecem difíceis de serem resolvidas e um cristal  de quartzo branco com a base apoiada no prato e com a ponta para cima. Na borda do prato, em volta dos grãos, arrume as folhas de louro e de canela alternadamente. Faça sua mandala no dia 23 de dezembro e desfaça - a no dia 06 de janeiro, colocando todos os grãos em água corrente. Deixe o olho - de - tigre e o cristal em sua casa durante todo o ano para que possa trazer prosperidade.

- No centro de uma compoteira ou outra vasilha de vidro transparente com um pouco d´agua, coloque um girassol natural. Cerque - o as pétalas com botões de rosas brancos e vermelhos, alternados. Coloque na sua mesa de jantar no dia 31 de dezembro e retire no dia 06 de janeiro.

- Você também pode fazer uma mandala com frutas. No centro de um prato de vidro coloque um melão cortado no meio e com sementes, e vá, com outras frutas de sua preferência, formando círculos dispostos conforme o tamanho e cor das mesmas. Procure usar frutas que contenham sementes como goiabas, mamão, kiwi, maçã mas, não se esqueça das uvas, que deve ser o mais colorido o possível. Use as frutas abertas, cortadas ao meio. Faça esta mandala no dia 31 e coma as frutas junto com sua família na manhã do dia primeiro.

- Numa superfície redonda, pode ser de madeira, metal, papelão ou vidro, faça uma mandala de cristais. No centro dessa mandala, coloque uma pirita e uma turmalina negra. Em volta delas arrume ágatas laranjas ou de fogo alternadas com granadas ou jaspes. Em volta delas ponha citrinos. Ao redor dos citrinos, coloque quartzos rosas alternados com quartzos verdes e amazonitas. Em volta dessas pedras, quartzos azuis e sodalitas. E, finalmente, em volta dessas, ametistas e quartzos brancos. Faça esta mandala quando enfeitar sua casa para o Natal. No momento em que for distribuir os presentes, distribua as pedras da seguinte maneira:

- a pirita e a turmalina são suas e deverão terem lugares de destaque em sua casa durante todo o ano.

- As ágatas laranjas presenteie a quem precisa aprender à manter o equilíbrio diante de alguma situação difícil que está vivenciando.

- As granadas e os jaspes ao amigo que está precisando de coragem e clareza mental para solucionar os conflitos e meos interiores.

- Os citrinos a quem estiver precisando de iniciativa, atenção e proteção contra a sua facilidade em captar energias intrusas.

- Os quartzos  rosas trazem uma sensação de paz e tranquilidade despertando bons sentimentos e melhorando as relações de convivência e companheirismo. Podem serem presenteados à todo e qualquer amigo, inclusive crianças.

- Os quartzos verdes à aqueles que estão infelismente, com problemas de saúde e, precisam recuperá - la.

- As amazonitas, ás pessoas que teêm dificuldade de demonstrarem afeto.

- Os quartzos azuis serão presenteados aos que teêm dificuldade de expressão ou se fazerem entender.

- As sodalitas serão doadas às crianças, pois ajudam - nas à expressar o seu eu.

- As ametistas poderão serem doadas à todos, já que operam as transformações necessárias á nossa vida e renovam as energias do ambiente.

- Os quartzos brancos, poderão serem presenteados à todos.

Pai Nosso Cigano

Pai Nosso que estais no céu, na terra, em todos os mundos espirituais.
Santificado e Bendito seja sempre o Vosso Nome, mesmo quando a dor e a desilusão ferirem nosso coração. Bendito Sejas.
O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje. Pai, dai-nos o pão que revigora as forças físicas, mas dai-nos também o pão para o espírito.
Perdoai as nossas ofensas, mas ensinai-nos antes a merecer o Vosso perdão, perdoando aqueles que tripudiam sobre nossas dores, espezinham nossos corações e destroem nossas ilusões. Que possamos perdoá-los, não com os lábios e sim com o coração.
Afastai de nosso caminho todo sentimento contrário a caridade. .
Que este Pai Nosso seja dadivoso para todos aqueles que sofrem como espíritos encarnados ou desencarnados.
Que uma partícula deste Pai Nosso vá até os cárceres onde alguns sofrem merecidamente, mas outros pelo erro judiciário.
Que vá até os hospícios iluminando os cérebros conturbados que ali se encontram.
Que vá até os hospitais, onde muitos choram e sofrem sem o consolo da palavra amiga.
Que vá a todos aqueles que neste momento transpõem o pórtico da vida terrena para a espiritual, para que tenham um guia e o Vosso perdão.

Que este Pai Nosso vá até os lupanaranes e erga as pobres e infelizes criaturas que para ali foram tangidas pela fome, dando-lhes apoio e fé.
Que vá até o seio da Terra onde o mineiro está exposto ao fogo do grizu e que ele, findo o dia, possa voltar ao seio de sua família.
Que este Pai Nosso vá até os dirigentes das nações para que evitem a guerra e cultivem a paz.
Tende piedade dos órfãos e viúvas. Daqueles que até esta hora n ão tiveram uma côdea de pão
Tende compaixão dos navegadores dos ares. Dos que lutam com os vendavais no meio do mar bravio.
Tende piedade da mulher que abre os olhos do ser à vida.
E que a Paz e a Harmonia do Bem fiquem entre nós e estejam com todos. Assim seja.

lenda de Aroni – Amigo de Ossain

Conta a lenda que Aroni (amigo e parceiro do orixá Ossain), o verdadeiro encantador das folhas (Ewe) e das porções mágicas feita por Osain. Aroni vivia pelo munda e gostava de se aproximar das cidades e se esconder no mato perto do povoado esperando que alguém passasse por ali, quando uma pessoa passava Aroni se escondia atrás de uma árvore para atacar com sua lança, Aroni tinha o hábito de cegar os olhos das pessoas a quem ele atacava, isso divertia Aroni. O tempo foi passando e quase todo o povo da cidade já estava cego devido aos ataques de Aroni.

O povo já sem muitas esperança resolveu procurar um Adivinho (Orunmila) para que o oráculo pudesse dar uma solução para interromper os ataques de Aroni, o adivinho lhes disse que fosse feito um ebó, assim os habitantes fizeram o ebó que dizia assim:

“Faça Ebó, pois Aroni é um ser mau, e com o ebó ele irá encontrar alguém pior do que ele”.

Então um belo dia na floresta Aroni passeava esperando que alguém passasse por ali para que pudesse cegar as pessoas, então Aroni escutou um barulho no meio do mato, então pensou “irei me esconder para atacar de surpresa”, foi quando uma pessoa aproximava-se, quando chegou perto Aroni pulou de trás da árvore quando viu que era um homem bem alto e negro com uma espada que brilhava, era Ogun, Aroni tentou atacar Ogum, mas Ogum o golpeou de baixo para cima com sua espada cortando-lhe uma das mãos, um dos pés, metade do Saco escrotal, depois disso Aroni fugiu e esconde-se na floresta esperando, mas com muita cautela devido ter quase morrido ao atacar Ogun.orixá aroni osae orixa ossain

Então a moral da história é de que não importa o quão poderoso e mau seja uma pessoa, sempre haverá outro pior.

( por isso a semelhança com o Saci, então Ossain não pode ter uma só perna, pois como conta a lenda que perdeu parte de uma das pernas, mãos e seu orgão genital foi Aroni ).

Aroni, A Divindade que Mora no Âmago da Floresta

Na magnífica Religião dos Òrìsàs, acreditamos que existe um conjunto de espíritos que moram no âmago da floresta. Esse conjunto de espíritos é chamado de Ajáà. Um desses espíritos e, talvez, um dos mais temidos é Aroni, que mora na parte mais escura da floresta, onde mesmo a luz do sol não consegue penetrar.

Acreditamos que ele guarda seus poderes… em um pedaço de carvão vegetal, o qual ele usa para potencializar as propriedades mágicas das ervas. O conhecimento de Aroni acerca das propriedades mágicas e medicinais das folhas é gigantesco, prova disso, é que Aroni foi um dos mestres da botânica de Osanyin.

Aroni é temido até mesmo pelos Òrìsàs, primeiro pelo seu elevado conhecimento sobre a magia das folhas e, segundo, pelo seu aspecto inumano. Acreditamos que Aroni seja um espírito com cabeça e cauda de cachorro. Cremos, ainda que, em razão de Aroni sempre estar agachado à busca das ervas mais preciosas ele acabou ficando corcunda.

Existem histórias Nàgó que discorrem que quando alguém se atreve a entrar no âmago da floresta, sem oferecer as oferendas corretas e pronunciar os Ofós (palavras mágicas) corretamente, Aroni as toma para si. Nesse âmbito, Aroni pega essa pessoa que passa a morar com ele na parte mais escura da floresta e, com ele, aprende os segredos mais poderosos das folhas, sendo novamente devolvido para o convívio com a humanidade, somente após ter aprendido o uso e magias de todas as ervas.

Aroni fuma constantemente um cachimbo feito com a casca do Igbin, o qual ele também usa para potencializar as propriedades das folhas e encantar as pessoas que se deparam com ele.

Em verdade, a floresta é um lugar sagrado, mas muito perigoso e todo cuidado deve ser tomado ao adentrá-la, por isso, inúmeros preceitos são realizados para pode entrar na morada dessas Divindades.

Esperamos uma vez mais, ter contribuído para o esclarecimento e disseminação da nossa rica e importante cultura.

Elenini - o nosso grande inimigo

É MUITO IMPORTANTE VOCÊ LER ESTE TEXTO. EIS MEU PARECER SOBRE ELENINI, E OS CUIDADOS COM ESSA ENERGIA NO NOSSO DIA A DIA. ***********************


ELENINI - O NOSSO GRANDE INIMIGO

FALAR DE ELENINI É FALAR DE UMA FORÇA QUE É TÃO ESPECIAL, MAS RARAMENTE É MENCIONADO, MAIS POR MEDO DO QUE RESPEITO…

Enfim, existem vários níveis de poder. E aqui está uma participação muito especial.
São “AJOGUN”, incluindo a perda, morte, doença, etc.
Então encontramos outro conceito que chamamos “ELININI” e que em parte esta no nível dos “AJOGUN”.
Os Ajogun são as forças malignas e muitas vezes é simplesmente traduzido e citado como “inimigos da humanidade”.
Mas como você pode expressá-las?
De muitas maneiras, mas vamos falar claramente de “ELININI”.
ELININI é uma força gerada e perpetuada pela natureza finita dos seres humanos.
Agora vislumbramos nestes conceitos um pouco diferente, porque é basicamente a idéia da nossa cultura tradicional.
Se olharmos para a perda, doença ou qualquer manifestação negativa, dependendo do que Ifá nos diz, então, podemos estar a olhar para as coisas feitas pelo homem, e podemos corrigi-los, se a pessoa o quer.
ELININI é um acúmulo de forças negativas, o que poderia ser definido como os budistas fazem quando se referem a “karma”.
ELININI tem um impacto negativo severo que é gerado pelo pensamento negativo, nas pessoas negativas que estão incentivando esse estado, é gerado na mesma pessoa.
O sagrado ODU IFA-OBARA ÒKÀNRÀN declara nos seus ensinamentos que “as cinzas no rosto dos desafortunados.”
ELININI e AJOGUN são as cinzas.
ELENINI é o inimigo, o falso testemunho e o adversário que está ao redor de uma pessoa. E Deus nos lembra, do incômodo, a desunião, a discordância, em suma, tudo negativo.
ELININI existe no físico e metafísico.
Mas é como o ar, sentir isso, está lá, mas não vêem, e quando ele chega, ou quando ele está deixando o caos, prejudicando a mente, desengonçada.
É ELENINI a divindade mitológica da desgraça e do obstáculo que foi enviado por Eledumare para aniquilar as divindades que manteve um Aye com mau comportamento Em parte, outros aspectos do ser interior da pessoa como depósito.
ELENINI, ocupando o cerebelo, a partir do qual executa ações contrárias à verdadeira vontade do homem. ELENINI faz agir erradamente, com ações malignas atribuídas a ele ou com associações do mal.
Mas não é nenhum Orisa que você adora, porque é baseado no desconhecimento.
Em outros testes, juntamente ELENINI representa a totalidade ou Ayew Ibis, ou seja, todas as forças negativas ou mal.
ELENINI não é ESU, ou Orisá.
ELE É O GUARDIÃO DO SALÃO PRINCIPAL DE ELEDUMARE.
Seria, a grosso modo, como um “leão de chácara”, que existe para mostrar que você não pode entrar nesse salão da DIVINDADE maior, por ser impuro, desregrado, promiscuo, sem ética e sem moral.
Ele atrai você para armadilhas, para realizar atos maldosos, perder totalmente a sua noção de dignidade, e assim mostrar que nós não podemos partilhar do sagrado.
E assim, retornar a reencarnar tantas vezes quanto necessárias para cumprir nossos objetivos de CARÁTER.
Por isso que IWÁ é uma das coisas mais sagradas para o Yorubá.
ORI E ELININI residem no cérebro e outro no cerebelo, respectivamente.
TAMBÉM SUGERE QUE APENAS ORI TEM A FORÇA PARA SUPERAR OU CONTROLAR ELININI E IMPEDIR A SUA INFLUÊNCIA E TOMAR A PESSOA POR UMA ROTA DIFERENTE ESCOLHIDO ANTES DO NASCIMENTO.
ELENINI não recebem culto na Nigéria ou em qualquer outro lugar.
Porque só se combate a ELENINI cultuando ORI, e “praticando” o bom caráter (IWÁ RERE).

Portanto, não são as OFERENDAS de qualquer tipo que anula a ação de ELENINI.
UMA DAS SOLUÇÕES É EVITAR INDIVÍDUOS QUE TENHAM OU SOFRAM DESTE ATAQUE PARA NÃO ASSUMIR SUAS POSIÇÕES, BEM COMO LOCAIS ONDE ESSAS PESSOAS ESTÃO, E QUE PODEM NOS INDUZIR A SEGUIR O MESMO CAMINHO: O DO ATO ERRADO
ELININI pode ser detectado precocemente, pode ser tratado, mas não curado.
SE O ELININI ENTRA NA FASE FINAL, OU SEJA, NO SOBRENATURAL, ENTÃO A PESSOA ESTÁ EM APUROS.
ELININI é muito democrático, por não discriminar nenhuma pessoa ou posição. O sinal de sua presença é invisível, especialmente para os não iniciados, torna-se um estigma.
Os membros da família, especialmente os amigos mais próximos podem ser os portadores do mal, sem estar consciente disso.
ELININI falseia os fatos, e quando a pessoa percebe é tarde demais. A pessoa começa a perceber o que está acontecendo, mas é impotente.
Não haverá intercessão mística, e a qualquer momento a pessoa pode estar morto, ou matar, no pior caso, porque caso contrário, será condenado a um inferno pessoal marcado pela derrota, fracasso, desregramento, promiscuidade e ostracismo.
NA MAIORIA DAS VEZES SÃO QUESTÕES DE SEGUNDOS QUE NOS FAZEM SER MAUS.
VIDE OS CASOS RECENTES DOS “NARDONE”, OU O MAIS RECENTE, O RAPAZ “LINDEMBERG”.
E TODOS OS DIAS TEMOS ACESSO A CASOS DOS MAIS ESTAPAFÚRDIOS E HORRENDOS QUE OCORREM:
FILHOS MATANDO PAIS, AVÓS, ESTUPROS DE CRIANÇAS, E EM SUA GRANDE PARTE, POR PESSOAS SEM NENHUM ANTECEDENTE CRIMINAL.
Mas, agora, com os avanços da ciência ELININI está centrada em certos tipos de transtorno mental, doenças ou síndromes mentais e comportamentais, ao contrário de pessoas que gosam de uma boa saúde mental.
Em geral, causam sofrimento e prejuízo em importantes áreas do funcionamento mental, afetando o equilíbrio emocional, o desempenho intelectual e ajustamento social.
Através da história e das culturas têm descrito diferentes tipos de transtornos, apesar da imprecisão e as dificuldades de definição.
Ao longo da história, e até tempos relativamente recentes, a loucura não era considerada uma doença, mas uma questão moral, o fim da depravação humana, ou maldição e casos espirituais ou possessão demoníaca.
Após um início tímido, no século XVI e XVII, a psiquiatria passou a ser uma ciência respeitável em 1790, quando Philippe Pinel médico parisiense decidiu retirar as cordas para o doente mental, introduziu uma perspectiva psicológica e começou a fazer objetivos estudos clínicos.
A partir de então, e desde que se iniciou o trabalho nos centros especializados, se definiriam os principais tipos de enfermidades mentais e suas formas de tratamento.
Em todo ELININI, chega a este tipo de situação.
Porém se a pessoa não deseja educar sua situação, então estará seriamente afetado, a um grau clínico real, e para todas essas situações, Ifa nos dá as soluções.
ELENINI tem um único e exclusivo objetivo que é de frustrar as intenções de nosso Ori. ELENINI é interpretado e chamado como “O SENHOR DOS OBSTÁCULOS”.
O Senhor dos obstáculos foi criado em harmonia com nós mesmos. Enquanto Ori reside no nosso cérebro, o senhor dos obstáculos encontra-se no cerebelo.
Esta força seria para nós a significar as provas do julgamento a utilizar em nossas vidas, evitando os diversos e variados obstáculos colocados antes de nós.
Por isso nos obrigaria a média das provas de bom senso para usar em nossas vidas, evitando os muitos e variados obstáculos colocados diante de nós.
Para vencer e derrotar ELENINI, nós devemos reforçar o caráter e viver na realidade constante, apegados a nosso Ori, única Divindade que realmente nos ajudará a realizar nosso destino.
Se decidirmos constituir um bom caráter, sem ego, sem malicia, com a verdade, sem viver e evitando os IBI (negativo – como excessos de bebidas, drogas, relacionamentos promíscuos, lugares onde essas ações imperam, e amizades nocivas), como já citei, sempre ao lado de nosso ORI, no sentido comum, obedecendo seus mandatos, cumprindo e aceitando o que IFA nos aconselha, estaremos vencendo as barreiras impostas por esta entidade em nossas vidas, e este vencimento de barreiras fará com que nós possamos construir um melhor e bom caráter.
Esta construção do caráter acarretará um crescimento forte que nos fará cultivar o bem, não só para vencer as provações e tribulações, mas para ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Na verdade, Ifa frequentemente nos ensina que para alcançar nossos objetivos teremos que vencer ELENINI.

ENTÃO, CULTUE SEU ORI, FORTALEÇA SEU ORI, ACATE AS RECOMENDAÇÕES DE IFÁ E SE AFASTE DE PERIGOS EM AGLOMERAÇÕES, BEBIDAS, DROGAS, PARA NÃO SER ATACADO E PERMITIR A AÇÃO DE ELENINI.
ISSO NÃO QUER DIZER QUE VC DEVA FICAR TRANCADO EM CASA E NÃO CURTIR A VIDA SOCIAL.
MAS ANTES DE IR PARA SUA FESTA, JOGUE COM IFÁ, PERGUNTE A ESU O QUE VC DEVE FAZER PARA SE PROTEGER DE ENERGIAS NEGATIVAS.
CONECTAR-SE AO SEU ESU BARA PARA QUE NOS ALERTE DE POSSÍVEIS PERIGOS À NOSSA VOLTA, COMO BRIGAS, TIROS, AGRESSÕES E DROGAS.
E QUE VCS TENHAM UM ÓTIMO DIA A DIA, E QUE PASSEM A CULTUAR ORI COM MAIS FREQUÊNCIA E CARINHO.

IRE O !!!

Ajogun – Aqueles Que Lutam Contra A Humanidade

À primeira vista, muitos se apavoram em saber da existência de espíritos malignos que podem nos prejudicar. É fato que eles atrapalham a vida das pessoas, mas na concepção Yorùbá, esses espíritos fazem com que exista o equilíbrio natural, a simetria entre mundos e poderes.

Isso é evidenciado, por exemplo, no jogo do Obì, no qual existe uma caída que reflete a harmonia perfeita, na qual duas faces internas do Obì caem
voltadas para baixo e duas para cima, sendo que os sexos dos gomos do Obì caem divididos para baixo e para cima harmoniosamente. Na cultura dos Òrìsàs essa caída representa a simetria perfeita, pois o negativo e positivo estão em consonância, bem como o feminino e masculino.

Dessa forma, embora malignos e terríveis, a existência dos Ajogun motiva as energias positivas a circularem no mundo. Essas energias positivas são estimuladas por meio dos sacrifícios (Ebó) que são prescritos por Sacerdotes, que o revelam por meio do oráculo.

Os Ajogun são forças muito negativas, que tem como objetivo causar doenças, acidentes, brigas, discórdias. Por isso, quando há sacrifícios, é comum cantarmos pedindo para que a água (elemento mais puro e
imagebenéfico que existe) cubra e mate as discórdias (bomi pa ejo), cubra e mate as doenças (bomi pa arun), cubra e mate as maldições (bomi pa epe), etc. Em verdade, estamos pedindo para que a água cubra e mate os poderes malignos do mundo, os Ajogun.

Diferente das Divindades que moram nos espaços do Orùn, regressando ao aye por meio da manifestação, os Ajogun moram no Aye e não no orùn. Isso acontece, pois os Ajogun não conseguiram causar males no mundo dos Deuses. Ou seja, os Ajogun moram no aye, pois aqui, diferente do orùn, eles conseguem espalhar os males de forma indiscriminada.

Os Ajogun estão sempre à espreita, esperando um momento adequado para atuar. Por isso, é muito importante que as pessoas sempre se cuidem, por meio de oferendas, banhos e o que mais for necessário, conforme prescrição do Sacerdote.

Quando algo de ruim surge no mundo, por exemplo, uma nova doença, isso certamente foi motivado por Ajogun, entretanto, quando uma grande descoberta em benefício à sociedade surge, foi motivada pelas forças positivas que sempre prevaleceram, como os Òrìsàs.

Por diversas vezes, já discorremos sobre a importância da realização dos sacríficios prescritos, sobre a importância de não quebrar tabus (Ewó), uma das razões para termos falado bastante sobre esses temas, foi justamente para se entender que essas ações atacam os poderes dos Ajogun.

Quando, por exemplo, uma pessoa quebra um Ewó, ela está ajudando e dando forças ao Ajogun. O mesmo ocorre quando o sacerdote prescreve um sacrifício que é negligenciado, a pessoa está dando forças ao Ajogun.

Nós do Terreiro de Òsùmàrè, esperamos uma vez mais, ter contribuido para o esclarecimento dos temas relacionados a nossa crença.

O fogo de Sàngó e sua importância para a humanidade

Kawó - Kabiesilé !!!

Sàngó manipula o fogo em estado selvagem, o fogo que os homens não sabem utilizar.
Sàngó antigo orixá do fogo celeste, visto pelos mortais como símbolo de justiça divina, já que o raio atinge a cabeça de quem os deuses resolvem punir.
O fogo foi a maior conquista do ser humano na pré-história. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. Depois, o fogo começou a ser empregado na caça, usando tochas rudimentares para assustar a presa,
encurralando-a. Foram inventados vários tipos de tochas, utilizando diversas madeiras e vários óleos vegetais e animais. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser humano pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava muitas bactérias existentes na carne.
O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva.
Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.